terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Os urubus queimam a língua

Publicado originalmente no Blog Tijolaço.com

Indústria de petróleo tem, além da tecnologia e do conhecimento geológico, uma dose grande de perseverança e convicção. Quem desiste no primeiro problema, pode ser outra coisa, mas não petroleiro.

Dia 13 de dezembro, a revista Exame, do Grupo Abril, numa matéria intitulada “O que deu errado para a Petrobras em 2011″, onde “o mercado” reclamava da Petrobras – eles, como Roger Agnelli com o ferro da Vale, querem pressa, a qualquer preço -, um trecho chamava a atenção:

“Acostumada a lidar com termos como pós-sal e pré-sal, a Petrobras precisa também de um pouco de sal grosso. Segundo os especialistas, até o azar rondou a estatal neste ano. O caso é o do Campo de Golfinho, no litoral do Espírito Santo.

Uma das boas apostas da Petrobras para 2011, Golfinho não rendeu o que se esperava – atualmente, ele produz mais água do que petróleo. Por volta de outubro, o campo produzia cerca de 26.000 barris diários, menos de 10% dos 300.000 estimados.”

Bem, ontem a Petrobras anunciou que ali mesmo, em Golfinho, encontrou novos depósitos de petróleo de excelente qualidade, e gás, em ótimas condições de aproveitamento, porque próximo à costa (74km) e a um navio-plataforma já operando na área. O campo é concessão integral da Petrobras e, por isso, mais rentável que os partilhados com outras empresas.

O “fracasso” de Golfinho já havia sido tema de uma reportagem na Folha, com o mesmo tom derrotista.

A história do petróleo, aqui, é a dessa luta sem fim contra os “isso não vai dar certo”, desde os tempos em que teimavam que aqui não havia petróleo. Só uma empresa disposta a acreditar e insistir, como a Petrobras, pode localizar e realizar todo o nosso potencial. E isso quer dizer risco, o mesmo risco que as multis nunca querem encarar, como aconteceu na era dos “contratos de risco” de Ernesto Geisel, o primeiro a tentar abrir o petróleo brasileiro para as petroleiras do exterior.

A própósito: como tem dados promissores, a Petrobras continuará furando após essa acumulação, localizada a cerca de 4600 m de profundidade. Vai aprofundar a prospecção por mais 1,5 mil metros. A região é o extremo Norte da camada de pré-sal e o trecho em que ela mais se aproxima da costa.

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