sábado, 12 de outubro de 2013

Vídeo retrata violência policial em Caxias do Sul

Um vídeo com um minuto de duração registrou uma cena explícita de violência policial. Na madrugada de ontem acontecia uma blitz em São Pelegrino. A operação era conjunta da Fiscalização de Trânsito com a Brigada Militar. No relato postado no Facebook, que já conta com mais de 7,5 mil compartilhamentos, Lucas diz que caminhava, em São Pelegrino, indo para casa com o irmão, noiva e o filho de 7 anos. Ele conta que o Fiscal de Trânsito, Gilson, pediu a sua carteira de motorista e anotou o número dela.

O vídeo inicia quando Lucas pergunta ao fiscal de trânsito, Gilson, por que motivo ele havia anotado o número da sua Carteira de Habilitação. O vídeo, postado no Facebook, encontra-se abaixo. Veja como foi o diálogo registrado:

Lucas: Gilson porque tu anotou minha CNH?

Policial Cleber (fora do campo de filmagem): O que era para vocês?

Lucas: Ele anotou minha CNH. Eu tô a pé e gostaria de saber o porquê.

Fiscal Gilson: Companheiro, terminou?

Policial: Aguarda aqui.

Marx (irmão de Lucas): Meu filho aí. Vem Mateus, vem cá.

Nesse momento o policial tenta agarrar o braço de Marx. Ele se solta.

Marx: Não bota a mão em mim.

Por duas vezes o policial tenta agarrar o ombro de Marx com bastante violência. Dá para ouvir o som das batidas. Marx vai para a calçada.

Policial: Tô te mandando rapaz, tô te mandando rapaz.

Policial: Bota a mão na parede, bota a mão na parede.

Nesse momento Marx é arremessado contra a grade de um loja. Seu filho, Mateus chora no fundo.

O policial imobiliza Marx e chama Lucas, que estava filmando, para colocar a mão na parede e a gravação para.



Segundo Lucas o seu celular foi recolhido mas o vídeo já havia sido enviado para a internet. Lucas afirma ainda que, na delegacia, eles foram ameaçados pelo Policial Cleber, da Rocam, (companhia de motos da Brigada Militar.

Ao jornal Pioneiro o Tenente Coronel Leonel Bueno afirmou que Lucas e Marx estavam alertando os motoristas sobre a existência de uma blitz logo a frente e afirmou: "Não vejo nenhuma abordagem irregular, fora do comum, na gravação". Se o Tenente Coronel não vê nada fora do comum na gravação isso é muito preocupante. Pois parece que a violência desenfreada é comum na sua tropa.

Mesmo que os irmãos estivessem alertando sobre a existência a blitz não seria o Fiscal de Trânsito que deveria fazer a abordagem inicial. O que ele iria fazer com o número da CNH? dar uma multa? A abordagem do policial militar também foi desastrosa e demonstra a arrogância típica da polícia militar.

Atitudes como essa são comum nas periferias de Caxias e das grandes cidades. Infelizmente só viram notícia quando alguém que tem acesso a informação consegue divulgar. Isso só demonstra que a polícia está longe de tentar proteger o cidadão.

2 comentários:

  1. A policia militar caxiense nivela a população por baixo, todos são "bandidos em potencial" aos seus olhos. Certa vez passei por um dos maiores constrangimentos da minha vida ao retornar de um compromisso em Vacaria de ônibus. Ao chegar em Caxias havia uma blitz da brigada, pois foi em uma época em que aconteceram problemas com torcidas organizadas na cidade e havia jogo do Juventude no dia, não recordo contra quem. Pararam o ônibus e pediram que os homens descessem para revista, desci do ônibus e atendi prontamente ao pedido de por as mãos na parede e afastar as pernas para ser revistado. Qual foi a minha surpresa quando subitamente e sem esperar levei um tapa na cabeça de um PM, que esbravejando "ordenou" que eu me "posicionasse direito" enquanto chutava minhas pernas para eu afasta-las mais. Eu questionei a razão da truculência e porque eu estava sendo tratado como bandido, o tal PM em tom intimidador me mandou calar a boca pois ele estava apenas cumprindo com a sua obrigação. Fiquei com dor por dias e hematomas nas duas pernas em razão dos chutes,mas, o pior foi a vergonha e o sentimento de humilhação. Não sou bandido, nunca tive problemas com a justiça e até então nunca havia sido abordado e revistado, não tenho intimidade com estes procedimentos e por esta razão fui agredido e humilhado. Existe sim na PM caxiense uma boa parcela de policiais que ao colocar a farda sentem-se acima de tudo e de todos, tudo podem e nada pode afeta-los, pois, sabem que existe uma cortina de fumaça que os protege. A Brigada esquece que está a serviço do cidadão e da sociedade não o contrario.

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  2. Uma grande vergonha! Espero que toda essa equipe tenha sido punida, e principalmente o capitão, que não viu nada demais na abordagem.

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