quinta-feira, 9 de abril de 2015

Petrobras sobe 9%: ficou caro apostar contra o país

Por Rodrigo Tolotti Umpieres - Infomoney

Apesar do Ibovespa variar entre leves perdas e ganhos nesta quinta-feira (9), as ações da Petrobras (PETR3; PETR4) chamaram atenção liderando os ganhos do índice ao subirem quase 9%. O desempenho ocorreu após notícia da agência Reuters, na noite de ontem, afirmar que a estatal irá votar o balanço auditado de 2014 no próximo dia 17, o que aumentou a expectativa sobre a divulgação do resultado já na próxima semana.

Com essa esperança pelo balanço, operadores afirmam que os papéis da companhia petrolífera sofreram um "short squeeze" neste pregão. Tal movimento ocorre quando existe muita demanda por ativos de aluguel, mas pouca oferta, ou se o limite de ações para aluguel já tiver batido o limiar permitido pela BM&FBovespa. Desta maneira, o investidor que realiza venda a descoberto (quando se está apostando em uma queda dos ativos) se vê tendo que comprar ações para liquidar sua operação na Bolsa, o que acarreta na disparada das ações.

As ações ordinárias da estatal tiveram ganhos de 9,28%, cotadas a R$ 11,54, enquanto os papéis preferenciais avançaram 9,06%, para R$ 11,56 - maior patamar desde 5 de dezembro do ano passado. Com isso, a companhia teve um ganho de valor de mercado de R$ 12,671 bilhões em relação ao último pregão. O volume movimentado pelos ativos também foi grande: os papéis ON superaram a média de 21 dias de R$ 159,9 milhões e chegaram a R$ 262,8 milhões, enquanto as ações PN movimentaram R$ 876,6 milhões, ante média de R$ 529,6 milhões.

Na noite de ontem, a Reuters, citando um conselheiro da Petrobras disse que a estatal provavelmente analisará e, possivelmente, votará no dia 17 de abril as demonstrações financeiras auditadas da companhia, que estão atrasadas por causa do escândalo de corrupção investigado pela Lava Jato.

Porém, a Petrobras enviou uma nota hoje para a agência e afirmou que "não há data definida para a divulgação". Em e-mail, a petroleira reafirmou que continua trabalhando para divulgar os resultados financeiros "o mais breve possível".

Além disso, de acordo com a agência, o encontro deve ser o último de vários membros do conselho, que está passando por mudanças desde a saída de Graça Foster da presidência da empresa. O mandato de dois conselheiros representantes de minoritários e do representante dos trabalhadores também está no fim, disse a fonte.

A auditora PwC (PricewaterhouseCoopers) se recusou, em novembro, a aprovar as contas da empresa com a preocupação de que o esquema de corrupção em contratos da petroleira, que envolveu desvio de dinheiro para empreiteiras, políticos, partidos e ex-executivos, teria inflado valores de ativos da companhia.

Caso não apresente os resultados em determinados prazos, a Petrobras pode enfrentar uma execução de dívidas de mais de US$ 50 bilhões em títulos. A companhia tem até o final de abril para publicar seu balanço anual auditado. Após essa data, segundo a própria Petrobras, a empresa teria de 30 a 60 dias, dependendo de contratos de dívidas, para cumprir essa obrigação.

Noticiário agitado Soma-se a tudo isso uma notícia sobre possíveis mudanças no sistema de partilha. Em meio às dificuldades de caixa da Petrobras e o temor de parte do mercado de que a companhia assolada por escândalos de corrupção não consiga arcar com seu ambicioso plano de investimentos, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, acenou na quarta-feira pela primeira vez que o governo pode "revisitar" as regras do regime de partilha na exploração do pré-sal e da política de exigência de conteúdo local na indústria de petróleo.

Em audiência na Comissão de Infraestrutura do Senado, Braga avaliou que, apesar de terem ajudado o País a chegar a um patamar avançado no setor, essas regras podem ser rediscutidas pelo governo futuramente. "Essas políticas não podem ser taxadas de ineficientes, porque foram pilares do nosso desenvolvimento no setor de petróleo e gás", disse, em resposta a questionamentos de parlamentares.

Além disso, a refinaria de Pasadena, da Petrobras, no Texas, Estados Unidos, retomará as atividades de determinadas unidades após a conclusão de reparos de manutenção, segundo um documento entregue pela companhia à Comissão do Texas em Qualidade Ambiental.

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