quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Ninguém sentirá falta

Desde o dia 5 de janeiro, quando venceu o contrato entre a Prefeitura e os proprietários do McCafé, o espaço que a empresa ocupava junto a Casa de Cultura Percy Vargas de Abreu e Lima está vazio. A secretaria de cultura disse que não há interesse na renovação do contrato. Isso é uma boa notícia. Eu não sei se o café era bom. Dizem até que era. Mas foi um equívoco descomunal colocar uma franquia de fast food num centro de cultura. Equívoco porque essa franquia representa, na essência, a homogeneização. Nada deveria ser mais contra a cultura (não confundir com contracultura) que a homogeneização.

Ponto a favor para a decisão da secretaria. Só que a mesma decisão traz um ponto negativo, na minha opinião é que o mesmo espaço será ocupado por uma “espécie de showroom para todo tipo de produção: literária, musical, artes visuais, plásticas” nas palavras do Secretário da Cultura, Antonio Feldmann, ao jornal O Caxiense. Esse espaço será montado em parceria com o Navi (Núcleo de Artes Visuais). Aí reside a questão. Por que, novamente, privatizar um espaço público? O Navi é uma entidade, privada, que congrega uma parte só dos artistas, mas ganha um espaço privilegiado com mais visibilidade que a própria galeria de arte que fica no primeiro andar da Casa de Cultura.

Se por um lado nos despedimos da homeneização do MacCafé, ganhamos uma outra de caráter elitista. E assim vai indo a cultura de Caxias do Sul.

[Foto: Ricardo André Frantz // Permission={{CC-BY-SA-3.0}]

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