segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Valor confirma fracasso do golpe: Temer aprofundou a recessão



Uma reportagem do jornal Valor Econômico desta segunda-feira confirma: Michel Temer e Henrique Meirelles, há 200 dias no poder, aprofundaram a recessão brasileira.

Um levantamento junto a instituições financeiras aponta que o PIB brasileiro cairá 0,9% no terceiro trimestre deste ano – o que confirma que o golpe parlamentar de 2016, além de ferir a democracia e colocar no coração do poder personagens como Geddel Vieira Lima, foi um fracasso também em termos econômicos.

Nesta segunda-feira, as instituições financeiras revisaram para baixo o PIB de 2016, que deverá cair 3,5%, depois de um tombo de 5% em 2015. Além disso, a Fundação Getúlio Vargas divulgou que a confiança do consumidor voltou a cair.

E o Brasil vai na contramão da economia mundial. A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, OCDE, revisou suas previsões para cima e estimou que o crescimento global será de 2,9% este ano, 3,3% em 2017 e poderá chegar a 3,6% em 2018. Para o Brasil a estimativa é de recuo de 3,4% esse ano, 0% ano que vem e pequeno crescimento, de 1,2% em 2018.

Todos os especialistas estão concluindo que o governo Temer nada está fazendo para melhorar a economia brasileira. A crise política, que gerou a crise econômica está longe de ser superada, visto que já houve a troca de 6 ministros (4 acusados de corrupção e dois saíram para não se envolver em corrupção) e que o governo federal está sendo arrastado para um mar de denúncias que parece não ter fim.

Hospitais do interior do Estado paralisam em protesto contra atrasos do governo Sartori

Há mais de um ano hospitais vem protestando contra o descaso
do governo Sartori


Por Fernanda Canofre/Sul 21

Três hospitais do interior do Rio Grande do Sul – Santana do Livramento, Uruguaiana e Vera Cruz – começaram paralisação em protesto aos atrasos e parcelamentos do governo de José Ivo Sartori (PMDB), nesta segunda-feira (28). A previsão é de que até o fim do dia mais cinco instituições – dos municípios de Cruz Alta, Palmeiras da Missões, Soledade, Lagoa Vermelha e Caiçara – se juntem à mobilização.

A paralisação é resultado dos atrasos de pagamentos e parcelamentos de salários que se tornaram frequentes desde o ano passado. Segundo o presidente da Federação dos Trabalhadores em Saúde do RS (FEESSERS), Milton Kempfer, o salário de outubro, que deveria ter sido pago durante o mês de novembro, ainda está atrasado. Os trabalhadores têm medo que os atrasos sejam ainda maiores para os salários de novembro, dezembro e para o 13º, como já ocorreu com gestões anteriores.

“A Estado tinha que ter depositado na semana passada e não depositou. Ele teria que pagar o dinheiro do faturamento dos hospitais filantrópicos, que normalmente recebem no início, no meio e no fim do mês”, explica Kempfer.

A Federação aponta ainda problemas com recebimento de férias, FGTS e outros direitos que estão sendo desrespeitados. De acordo com a FEESSERS, os trabalhadores têm relatado com frequência assédio moral das chefias e quadros de depressão.

Segundo Kempfer, a paralisação iniciada hoje envolve 2 mil funcionários. Os atrasos que se tornaram uma constante desde 2015, já causaram a demissão de cerca de 6 mil trabalhadores da saúde em todo o Estado. A estimativa para esse ano é de que o número cresça para 10 mil. Com as saídas deles, as vagas são frequentemente fechadas e os serviços ainda mais precarizados.

“Eles atrasam o pagamento de funcionários, há demissões sem novas contratações. Isso está acarretando demora em diagnósticos e tratamentos e tem toda uma consequência direta. Em 2015, se olhar o boletim epidemiológico, vais ver que as mortes em geral aumentaram. Agora começa o verão com questão de dengue, chikungunya, pode ser bem grave”, diz ele.

Hospitais estudam fechar as portas


Os hospitais filantrópicos também reclamam a suspensão do pagamento do Incentivo de Cofinanciamento da Assistência Hospitalar (IHOSP) – incentivo criado no governo Tarso Genro (PT), para complementar o custeio na assistência hospitalar, para garantir atendimentos no Sistema Único de Saúde – adotada desde o início do governo Sartori. Em tese, o repasse seria obrigatório já que é contratualizado entre o Estado e as instituições.

A FEESSERS diz que há hospitais já estudando a possibilidade de fechar as portas no próximo ano, sem condições de manter o funcionamento. O Hospital de Caridade Brasilina Terra, em Tupanciretã, na região centro-oeste do Estado, já avisou que no início de dezembro deve dar aviso prévio aos seus 96 funcionários. Para 2017, a Federação prevê “caos” no sistema de saúde.

Os sindicatos ligados à saúde também já registraram denúncias quanto aos atrasos de pagamento junto ao Ministério Público, mas segundo Kempler, a situação estaria “lenta”. Quanto à resposta do governo, o presidente diz que enquanto a Secretaria de Saúde diz que a relação dos funcionários é apenas com os hospitais, os hospitais respondem que não podem pagar enquanto o governo do Estado não repassa a verba.

“Estamos em um mato sem cachorro”, afirma Kempfer. “O que se espera é o governo regularize o repasse, senão entra dezembro, outubro ainda não foi paga e tem novembro, o 13º e dezembro. Se já não consegue honrar agora, imagina como vai ser”.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Desembargadores absolvem dois condenados por Moro na Lava Jato

A Lava Jato começa a mostrar sinal de que está fazendo água. Começam a ser reformadas, em segundo instância, as decisões do todo poderoso juiz Sergio Moro. Na verdade está dando a lógica que a maioria dos juristas sérios já apontavam: os processos de "Curitiba" são frágeis e não se baseiam em provas concretas.

Agora quem passa a dizer isso é a 8ª turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Ela absolveu dois executivos da OAS condenados pelo juiz Sergio Moro.

O ex-diretor financeiro Mateus Coutinho de Sá havia sido condenado a 11 anos de prisão pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e de pertencer a organização criminosa.

Outro absolvido é o engenheiro civil Fernando Augusto Stremel Andrade que foi sentenciado a quatro anos de reclusão por lavagem de dinheiro, mas teve a pena reduzida por prestação de serviços comunitárias e multa de 50 salários mínimos.

Em  seu voto o relator, desembargador João Pedro Gebran Neto, considerou que não havia provas de que os dois cometeram os crimes de que foram acusados. A decisão final foi unânime.

Coutinho de Sá, que agora foi absolvido, ficou preso por 9 meses e foi demitido pela empreiteira.

Com a reforma da sentença e visto que os réus foram presos e conduzidos coercitivamente, podem entrar com ações de ressarcimento de danos moral e material contra o estado brasileiro.

Os contribuintes pagarão pelo erro crasso de Sergio Moro. Como não há crime de responsabilidade para juiz, suas ações não serão fruto de representação.

Essas duas decisões mostram a fragilidade que toda essa operação está sendo montada. Tudo indica que mais condenados serão absolvidos no futuro.

Com informações da Folha de São Paulo



sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Pedem golpe militar, agridem jornalistas, matam o próprio filho

Por Leonardo Sakamoto

1) Um grupo de 50 manifestantes ocupou a mesa diretora da Câmara dos Deputados e exigiu um golpe militar, anunciando – de forma sebastianista – a chegada de um ''general'' redentor. Defendiam o fechamento do Congresso Nacional que, segundo alguns deles, estaria tentando implantar o comunismo no país.

2) Jornalistas apanharam de manifestantes em um protesto contra o pacote de corte de gastos do governo do Rio de Janeiro – que, se aprovado, reduzirá direitos de servidores públicos. Entre os que protestavam, uma grande quantidade de policiais e agentes penitenciários. Caco Barcellos, um dos maiores repórteres deste país, foi agredido fisicamente e hostilizado por uma turba ensandecida de manifestantes sob gritos de ''golpista''. Repórteres do UOL, do G1 e de O Globo também foram agredidos.

3) Após Gilmar Mendes pedir vistas e interromper um julgamento sobre uma ação que trata de direitos de trabalhadores (estava no lado que já havia sido vencido pela maioria dos ministros), ele e Ricardo Lewandowski bateram boca em plena sessão. O barraco do Supremo Tribunal Federal, com cada um tentando provar que o outro era mais leviano no trato com a coisa pública, quebra a imagem de uma corte constitucional, que deveria ser de diálogo e serenidade.

4) Um engenheiro de 60 anos matou a tiros seu filho, um universitário de 20, por – de acordo com a polícia – discordar de que o jovem participasse de protestos estudantis e por ser contra suas preferências políticas – o rapaz seria anarquista. O filho chegou a fugir, mas foi perseguido pelo carro do pai, que o abateu. E, depois, se matou.

São quatro acontecimentos violentos, frutos do desrespeito a instituições que são estruturantes de nossa sociedade e do consequente abandono de regras que balizam os limites de nossos desejos e de nossos atos. Limites que tornam possível conviver no mesmo pedaço de chão.

Limites que, deixemos bem claro, nunca valeram para quem é jovem e negro na periferia de uma grande cidade, indígena e ribeirinho em uma área de interesse de grandes empreendimentos ou trabalhadores e pobre em geral.

Temos um déficit de formação para a empatia, para reconhecer no outro alguém que tem os mesmos direitos que nós. Mas também para a cultura política do debate – infelizmente, não somos educados, desde cedo, para saber ouvir, falar, respeitar a diferença e, a partir daí, construir consensos ou saber lidar com o dissenso. Não somos educados para a tolerância e a noção de limites.

Ao mesmo tempo em que o aumento do acesso à internet nos levou a descobrir que nem todo mundo pensa como nós, as bolhas das redes sociais trouxeram a falsa sensação de que a maioria das pessoas pensa igual a nós. Daí, muita gente está em estado de guerra deflagrada. Guerra contra outras pessoas que não concordem com as suas versões da realidade, tida por eles como verdades absolutas.

Estamos chegando ao fundo do poço? Claro que não. Até porque, lá no fundo, tem um alçapão.

Há aqueles que se utilizam da justificativa da discussão política para poder extravasar seu ódio e seu desejo por sangue e demonstrar toda sua incapacidade de sentir essa empatia pelo semelhante. Ou aqueles que não conseguem ser contestados ou admitirem ignorância sobre algo sem usar a agressividade como saída. Fazem isso vomitando política, mas poderia fazer o mesmo – ou realmente fazem – em nome de seu time de futebol, de sua religião, de sua cor de pele, de sua origem social – ou de qualquer outra razão irracional.

Mas é claro que o contexto político do ''salve-se quem puder'' e a crise econômica aumentaram a fervura. Onde isso vai dar, depende da gente. O esgarçamento institucional atingiu o Executivo e o Legislativo. O risco é de ocorrer também com o Judiciário. E se ninguém acreditar em mais nada, sobrará espaço para um ''salvador da pátria'', com ''colo de pai'' e ''mão firme'' para evitar que nos devoremos.

As pessoas acham que a democracia é algo forte. Mas é tão frágil como um folha de papel em branco.

Por enquanto, vamos transformando o Manifesto Antropofágico, de Oswald de Andrade, em profecia cumprida. ''Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.''

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Quem montou o “putsh” fascista na Câmara?

Por Fernando Britto/Tijolaço

Aquelas 60 ou 80 pessoas que invadiram a Câmara, hoje, vindas de vários Estados, encontraram-se ali por acaso?

Foi coincidência?

Como entraram na Câmara, como combinaram a invasão do plenário?

É evidente que isso foi organizado e teve apoio interno.

Mesmo sendo uma mixórdia o nosso parlamento, se não de defende de quem lhe faz isso, melhor fechar.

É evidente que, pela natureza do protesto, todos tendem a liga-lo a Jair Bolsonaro.

A nossa valente imprensa foi incapaz de investigar este filão.

Como não vi ninguém ir atrás de Sérgio Moro, que teve seu nome gritado pelos invasores, para ouvi-lo desculpar-se, se é que o vai, ter contribuído para este fanatismo, que ele cansou de chamar de “apoio da opinião pública”.

Como não é capaz de investigar este vilão, que se mandou para Roraima no dia do “bolsomitismo”.

Permite que ele faça apologia aberta do autoritarismo, da tortura, do preconceito e da discriminação.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Horda golpistas invade plenário da Câmara dos Deputados



O 1º vice-presidente da Câmara, deputado Waldir Maranhão (PP-MA), suspendeu os trabalhos e pediu à polícia legislativa que ajude na remoção dos manifestantes.

Aos gritos de "viva Sergio Moro" e "Ih!, queremos general aqui!", cerca de 50 a 60 pessoas tomaram o entorno da mesa de onde os membros da Mesa Diretora comandam os trabalhos.

Eles não portam faixas ou qualquer forma que possa indicar com precisão se há vinculação com algum grupo organizado. Alguns deles, na área dos lugares dos parlamentares, entram em conflito com os policiais legislativos.
Foto: Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados
O Plenário da Câmara dos Deputados foi invadido por manifestantes de extrema direita no momento em que os deputados discursavam à espera de quórum para o início da Ordem do Dia da sessão extraordinária.

A ocupação foi possível quando o grupo conseguiu quebrar a porta de vidro que dá acesso ao plenário. "Eles estão todos loucos. E tem gente armada aí dentro", afirmou o deputado Beto Mansur (PRB/SP) em relação ao grupo de invasores.

"Tem muita gente drogada e tem gente armada sim", disse o deputado Julio Delgado (PSB/MG).

"É uma situação absurda, que nunca vi no Parlamento. Não acredito que neste primeiro momento haja abertura para uma saída pacífica", afirmou o deputado Marcos Rogério (DEM/RO). Segundo o deputado a bandeira do Brasil que fica no plenário foi arrancada e jogada no chão.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM/RJ) afirmou que todos que participaram da invasão seriam presos e indiciados. "Eles depredaram patrimônio público, se recusaram a sair do Legislativo. Todos serão presos. O que a gente espera é que não se veja mais este tipo de cena acontecendo na Câmara. Quem descumpriu a lei vai responder pelo seu delito”, afirmou.

Porém notícias preliminares apontam que eles já estão todos liberados e, alguns, continuam gritando do lado de fora do Congresso. 

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Estudante que pagou para fraudar o Enem pediu "Fora, Dilma"





Por Brasil 247


Suspeita pela Polícia Federal de contratar uma quadrilha especializada em fraudes no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) 2016 e em outros concursos realizados no País, a estudante Sofia Azevedo Macedo, moradora do Vale do Jequitinhonha, se manifestou contra a corrupção no Brasil, pedindo "Fora, Dilma"; com ponto eletrônico, ela respondia com tosses às perguntas do membro da quadrilha que tentava fraudar o Enem.

A estudante Sofia Azevedo Macedo, filha de um comerciante de Carbonita (Vale do Jequitinhonha), é suspeita de contratar uma quadrilha especializada em fraudes no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) 2016 e em outros concursos realizados no País. Um integrante da quadrilha, identificado como Jonathan Galdino dos Santos, foi registrado pela Polícia Federal (PF) testando o sistema com a candidata carbonitense. Ela estaria fazendo a prova em Capelinha (MG).

Segundo a PF, Sofia afixou uma espécie de cartão com chip na altura do peito. O equipamento recebia ligações telefônicas e, por meio de um transmissor, enviava o áudio para o ponto, que era do tamanho de uma bateria de relógio e só podia ser colocado ou retirado do ouvido com pinça. Um integrante da quadrilha detida pela PF lia o gabarito para a candidata.

O transmissor também possibilitava que o criminoso ouvisse Sofia, que foi orientada a tossir para confirmar a compreensão das informações repassadas. Segundo a PF, a estudante teria pago entre R$ 150 mil e R$ 180 mil para a quadrilha.


“Pela primeira vez constatamos o retorno de áudio por parte do candidato. A maneira que ele usava para demonstrar ao interlocutor que compreendia ou não o gabarito era por intermédio de tosse. Se tossia uma vez ele havia compreendido, se tossia duas vezes, o interlocutor repetia o gabarito”, disse o delegado Marcelo Freitas.


Escutas autorizadas pela Justiça mostram que antes do exame era feito um teste para verificar se o candidato conseguia escutar a voz de quem iria repassar as respostas para ele. Durante o cumprimento dos mandados foram apreendidos vários equipamentos usados na fraude. Confira no diálogo abaixo:

Jonathan: Sofia, tá me escutando? Dá duas tosses aí, por favor.

– Sofia: [tosse duas vezes, indicando que estava escutando o bandido]

– Jonathan: Correto. Eu vou falar cinco palavras: casa, carro, tatu, prédio e cachorro. Entendeu? Dá uma tossida.

– Sofia: [tosse uma vez, indicando que entendeu a mensagem repassada por Jonathan]

– Jonathan: Pronto. Ok.