quinta-feira, 9 de março de 2017

Padre Lancellotti: é vergonhoso que Bolsonaro tenha tantos seguidores

Ppadre Júlio Lancellotti, sacerdote que há décadas atua no trabalho social, fez um discurso duro contra o crescimento do deputado Jair Bolsonaro como líder político. O nome do parlamentar, que é machista e homofóbico, aparece nas pesquisas de cenário à presidência de 2018.

“Eu fico impressionado que uma pessoa homofóbica, violenta como Bolsonaro é seguido por tanta gente no Brasil”, disse o líder religioso, em um vídeo que circula nas redes sociais.

“Alguém que propõe o assassinato, o extermínio dos gays, propõe uma homofobia, propõe que o homem é mais importante que a mulher, e que a mulher tem que ser submissa ao homem. Isso é inaceitável nos tempos que nós vivemos”, completou o padre. Assista no vídeo abaixo.

quarta-feira, 8 de março de 2017

STF rejeita recurso e confirma Bolsonaro como réu

Por: André Richter - Repórter da Agência Brasil

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta terça-feira (7) manter a tramitação do processo no qual o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) é acusado de incitação ao crime de estupro. Por unanimidade, o colegiado negou recurso protocolado pela defesa do parlamentar, que alegou falhas na decisão que o tornou réu.

Em junho do ano passado, o STF aceitou uma queixa-crime apresentada pela deputada Maria do Rosário (PT-RS), que o acusou de incitação ao crime de estupro e injúria.

No dia 9 de dezembro de 2014, em discurso no plenário da Câmara, Bolsonaro disse que só não estupraria a deputada Maria do Rosário porque ela não merecia. No dia seguinte, o parlamentar repetiu a declaração em entrevista ao jornal Zero Hora.

Ao julgar o caso, a Primeira Turma entendeu que a manifestação de Bolsonaro teve potencial de incitar homens a prática de crimes conta as mulheres em geral. No entendimento do ministro, o emprego do termo "merece" pelo deputado, confere ao crime de estupro "um prêmio, favor ou uma benesse", que dependem da vontade do homem.

Defesa


Durante o julgamento, a defesa de Bolsonaro alegou que o parlamentar não incitou a prática do estupro, mas apenas reagiu a ofensas proferidas pela deputada contra as Forças Armadas eme uma cerimônia em homenagem aos direitos humanos.

Para os advogados, o embate entre Maria do Rosário e Bolsonaro ocorreu dentro do Congresso e deve ser protegido pela regra constitucional da imunidade parlamentar, que impede a imputação criminal quanto às suas declarações.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Vice-prefeito de Caxias do Sul renuncia ao cargo

Ricardo Fabris de Abreu (PRB) será vice-prefeito de Caxias do Sul por 90 dias. Apesar dele ter entregue sua carta de renúncia hoje, ele estabeleceu uma espécie de ´"aviso prévio" para sí e estabeleceu sua saída do governo Daniel Guerra (PRB) para o dia 31 de março.

Nunca se viu um caso de renúncia com aviso prévio. Se alguém chega a esse limite o correto seria sair já e não daqui há 25 dias. Mas isso é apenas uma amostra da confusão que é a chapa e a administração de Daniel Guerra e seus comandados.

A relação entre os dois já vinha tumultuada desde a transição. Fabris dizia que o prefeito não pedia sua opinião para escolher o futuro secretariado. Chegou a dizer que se assumisse a interinidade da prefeitura demitiria todos os secretários. Falava que queria trabalhar na pasta da Segurança Pública, mas não combinava nem com o secretário. Falou ainda em se desfiliar do PRB. Por último apresentou sua renúncia.

Isso caí como uma bomba em um governo recheado de crises. Greve dos médicos, ameaça de paralisação do transporte público e agora perde o companheiro de chapa a linha sucessória da prefeitura para o presidente da Câmara de Vereadores, nesse ano cabe ao vereador Felipe Gremelmaier (PMDB).

A justificativa do vice-prefeito para tamanho ato é pífia: "o prefeito não precisa de mim para governar. Vou deixar o Daniel trabalhar sozinho. Não vou ficar consumindo recursos públicos sem utilidade". Se ele acha que está consumindo recursos públicos sem utilidade é por que ele próprio não tinha utilidade. Se não tinha utilidade não deveria ter se candidato.

Parece que tudo foi uma grande brincadeira, uma grande aventura.

E Caxias está não mão desses aventureiros.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Valor confirma fracasso do golpe: Temer aprofundou a recessão



Uma reportagem do jornal Valor Econômico desta segunda-feira confirma: Michel Temer e Henrique Meirelles, há 200 dias no poder, aprofundaram a recessão brasileira.

Um levantamento junto a instituições financeiras aponta que o PIB brasileiro cairá 0,9% no terceiro trimestre deste ano – o que confirma que o golpe parlamentar de 2016, além de ferir a democracia e colocar no coração do poder personagens como Geddel Vieira Lima, foi um fracasso também em termos econômicos.

Nesta segunda-feira, as instituições financeiras revisaram para baixo o PIB de 2016, que deverá cair 3,5%, depois de um tombo de 5% em 2015. Além disso, a Fundação Getúlio Vargas divulgou que a confiança do consumidor voltou a cair.

E o Brasil vai na contramão da economia mundial. A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, OCDE, revisou suas previsões para cima e estimou que o crescimento global será de 2,9% este ano, 3,3% em 2017 e poderá chegar a 3,6% em 2018. Para o Brasil a estimativa é de recuo de 3,4% esse ano, 0% ano que vem e pequeno crescimento, de 1,2% em 2018.

Todos os especialistas estão concluindo que o governo Temer nada está fazendo para melhorar a economia brasileira. A crise política, que gerou a crise econômica está longe de ser superada, visto que já houve a troca de 6 ministros (4 acusados de corrupção e dois saíram para não se envolver em corrupção) e que o governo federal está sendo arrastado para um mar de denúncias que parece não ter fim.

Hospitais do interior do Estado paralisam em protesto contra atrasos do governo Sartori

Há mais de um ano hospitais vem protestando contra o descaso
do governo Sartori


Por Fernanda Canofre/Sul 21

Três hospitais do interior do Rio Grande do Sul – Santana do Livramento, Uruguaiana e Vera Cruz – começaram paralisação em protesto aos atrasos e parcelamentos do governo de José Ivo Sartori (PMDB), nesta segunda-feira (28). A previsão é de que até o fim do dia mais cinco instituições – dos municípios de Cruz Alta, Palmeiras da Missões, Soledade, Lagoa Vermelha e Caiçara – se juntem à mobilização.

A paralisação é resultado dos atrasos de pagamentos e parcelamentos de salários que se tornaram frequentes desde o ano passado. Segundo o presidente da Federação dos Trabalhadores em Saúde do RS (FEESSERS), Milton Kempfer, o salário de outubro, que deveria ter sido pago durante o mês de novembro, ainda está atrasado. Os trabalhadores têm medo que os atrasos sejam ainda maiores para os salários de novembro, dezembro e para o 13º, como já ocorreu com gestões anteriores.

“A Estado tinha que ter depositado na semana passada e não depositou. Ele teria que pagar o dinheiro do faturamento dos hospitais filantrópicos, que normalmente recebem no início, no meio e no fim do mês”, explica Kempfer.

A Federação aponta ainda problemas com recebimento de férias, FGTS e outros direitos que estão sendo desrespeitados. De acordo com a FEESSERS, os trabalhadores têm relatado com frequência assédio moral das chefias e quadros de depressão.

Segundo Kempfer, a paralisação iniciada hoje envolve 2 mil funcionários. Os atrasos que se tornaram uma constante desde 2015, já causaram a demissão de cerca de 6 mil trabalhadores da saúde em todo o Estado. A estimativa para esse ano é de que o número cresça para 10 mil. Com as saídas deles, as vagas são frequentemente fechadas e os serviços ainda mais precarizados.

“Eles atrasam o pagamento de funcionários, há demissões sem novas contratações. Isso está acarretando demora em diagnósticos e tratamentos e tem toda uma consequência direta. Em 2015, se olhar o boletim epidemiológico, vais ver que as mortes em geral aumentaram. Agora começa o verão com questão de dengue, chikungunya, pode ser bem grave”, diz ele.

Hospitais estudam fechar as portas


Os hospitais filantrópicos também reclamam a suspensão do pagamento do Incentivo de Cofinanciamento da Assistência Hospitalar (IHOSP) – incentivo criado no governo Tarso Genro (PT), para complementar o custeio na assistência hospitalar, para garantir atendimentos no Sistema Único de Saúde – adotada desde o início do governo Sartori. Em tese, o repasse seria obrigatório já que é contratualizado entre o Estado e as instituições.

A FEESSERS diz que há hospitais já estudando a possibilidade de fechar as portas no próximo ano, sem condições de manter o funcionamento. O Hospital de Caridade Brasilina Terra, em Tupanciretã, na região centro-oeste do Estado, já avisou que no início de dezembro deve dar aviso prévio aos seus 96 funcionários. Para 2017, a Federação prevê “caos” no sistema de saúde.

Os sindicatos ligados à saúde também já registraram denúncias quanto aos atrasos de pagamento junto ao Ministério Público, mas segundo Kempler, a situação estaria “lenta”. Quanto à resposta do governo, o presidente diz que enquanto a Secretaria de Saúde diz que a relação dos funcionários é apenas com os hospitais, os hospitais respondem que não podem pagar enquanto o governo do Estado não repassa a verba.

“Estamos em um mato sem cachorro”, afirma Kempfer. “O que se espera é o governo regularize o repasse, senão entra dezembro, outubro ainda não foi paga e tem novembro, o 13º e dezembro. Se já não consegue honrar agora, imagina como vai ser”.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Desembargadores absolvem dois condenados por Moro na Lava Jato

A Lava Jato começa a mostrar sinal de que está fazendo água. Começam a ser reformadas, em segundo instância, as decisões do todo poderoso juiz Sergio Moro. Na verdade está dando a lógica que a maioria dos juristas sérios já apontavam: os processos de "Curitiba" são frágeis e não se baseiam em provas concretas.

Agora quem passa a dizer isso é a 8ª turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Ela absolveu dois executivos da OAS condenados pelo juiz Sergio Moro.

O ex-diretor financeiro Mateus Coutinho de Sá havia sido condenado a 11 anos de prisão pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e de pertencer a organização criminosa.

Outro absolvido é o engenheiro civil Fernando Augusto Stremel Andrade que foi sentenciado a quatro anos de reclusão por lavagem de dinheiro, mas teve a pena reduzida por prestação de serviços comunitárias e multa de 50 salários mínimos.

Em  seu voto o relator, desembargador João Pedro Gebran Neto, considerou que não havia provas de que os dois cometeram os crimes de que foram acusados. A decisão final foi unânime.

Coutinho de Sá, que agora foi absolvido, ficou preso por 9 meses e foi demitido pela empreiteira.

Com a reforma da sentença e visto que os réus foram presos e conduzidos coercitivamente, podem entrar com ações de ressarcimento de danos moral e material contra o estado brasileiro.

Os contribuintes pagarão pelo erro crasso de Sergio Moro. Como não há crime de responsabilidade para juiz, suas ações não serão fruto de representação.

Essas duas decisões mostram a fragilidade que toda essa operação está sendo montada. Tudo indica que mais condenados serão absolvidos no futuro.

Com informações da Folha de São Paulo



sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Pedem golpe militar, agridem jornalistas, matam o próprio filho

Por Leonardo Sakamoto

1) Um grupo de 50 manifestantes ocupou a mesa diretora da Câmara dos Deputados e exigiu um golpe militar, anunciando – de forma sebastianista – a chegada de um ''general'' redentor. Defendiam o fechamento do Congresso Nacional que, segundo alguns deles, estaria tentando implantar o comunismo no país.

2) Jornalistas apanharam de manifestantes em um protesto contra o pacote de corte de gastos do governo do Rio de Janeiro – que, se aprovado, reduzirá direitos de servidores públicos. Entre os que protestavam, uma grande quantidade de policiais e agentes penitenciários. Caco Barcellos, um dos maiores repórteres deste país, foi agredido fisicamente e hostilizado por uma turba ensandecida de manifestantes sob gritos de ''golpista''. Repórteres do UOL, do G1 e de O Globo também foram agredidos.

3) Após Gilmar Mendes pedir vistas e interromper um julgamento sobre uma ação que trata de direitos de trabalhadores (estava no lado que já havia sido vencido pela maioria dos ministros), ele e Ricardo Lewandowski bateram boca em plena sessão. O barraco do Supremo Tribunal Federal, com cada um tentando provar que o outro era mais leviano no trato com a coisa pública, quebra a imagem de uma corte constitucional, que deveria ser de diálogo e serenidade.

4) Um engenheiro de 60 anos matou a tiros seu filho, um universitário de 20, por – de acordo com a polícia – discordar de que o jovem participasse de protestos estudantis e por ser contra suas preferências políticas – o rapaz seria anarquista. O filho chegou a fugir, mas foi perseguido pelo carro do pai, que o abateu. E, depois, se matou.

São quatro acontecimentos violentos, frutos do desrespeito a instituições que são estruturantes de nossa sociedade e do consequente abandono de regras que balizam os limites de nossos desejos e de nossos atos. Limites que tornam possível conviver no mesmo pedaço de chão.

Limites que, deixemos bem claro, nunca valeram para quem é jovem e negro na periferia de uma grande cidade, indígena e ribeirinho em uma área de interesse de grandes empreendimentos ou trabalhadores e pobre em geral.

Temos um déficit de formação para a empatia, para reconhecer no outro alguém que tem os mesmos direitos que nós. Mas também para a cultura política do debate – infelizmente, não somos educados, desde cedo, para saber ouvir, falar, respeitar a diferença e, a partir daí, construir consensos ou saber lidar com o dissenso. Não somos educados para a tolerância e a noção de limites.

Ao mesmo tempo em que o aumento do acesso à internet nos levou a descobrir que nem todo mundo pensa como nós, as bolhas das redes sociais trouxeram a falsa sensação de que a maioria das pessoas pensa igual a nós. Daí, muita gente está em estado de guerra deflagrada. Guerra contra outras pessoas que não concordem com as suas versões da realidade, tida por eles como verdades absolutas.

Estamos chegando ao fundo do poço? Claro que não. Até porque, lá no fundo, tem um alçapão.

Há aqueles que se utilizam da justificativa da discussão política para poder extravasar seu ódio e seu desejo por sangue e demonstrar toda sua incapacidade de sentir essa empatia pelo semelhante. Ou aqueles que não conseguem ser contestados ou admitirem ignorância sobre algo sem usar a agressividade como saída. Fazem isso vomitando política, mas poderia fazer o mesmo – ou realmente fazem – em nome de seu time de futebol, de sua religião, de sua cor de pele, de sua origem social – ou de qualquer outra razão irracional.

Mas é claro que o contexto político do ''salve-se quem puder'' e a crise econômica aumentaram a fervura. Onde isso vai dar, depende da gente. O esgarçamento institucional atingiu o Executivo e o Legislativo. O risco é de ocorrer também com o Judiciário. E se ninguém acreditar em mais nada, sobrará espaço para um ''salvador da pátria'', com ''colo de pai'' e ''mão firme'' para evitar que nos devoremos.

As pessoas acham que a democracia é algo forte. Mas é tão frágil como um folha de papel em branco.

Por enquanto, vamos transformando o Manifesto Antropofágico, de Oswald de Andrade, em profecia cumprida. ''Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.''