sábado, 29 de janeiro de 2011

Tirando da tomada

No desespero para tentar evitar os protestos que paralisam o Egito há 5 dias. O ditador presidente Mubarak puxou a tomada e tirou a internet do ar, em todo país, no dia 27. Para quem não sabe as manifestações eram organizadas, principalmente, usando a internet (twitter e facebook) e mensagens de celular. A atitude do governo tinha, portanto, o objetivo de impedir o que era chamado de “Dia da Ira”, uma grande manifestação espalhada por várias cidades do país.

Mas como se “desliga” a internet de um país de 80 milhões de habitantes?

Não tinha nenhuma grande alavanca onde o Mubarak pudesse gritar:

“Igor puxe a alavanca”

Mas o processo foi quase tão fácil. Segundo o site de tecnologia Gizmodo o governo simplesmente emitiu uma ordem para os servidores desligarem seus serviços. Segundo a empresa Vodafone Egypt “pela legislação egípcia, as autoridades têm o direito de emitir esse tipo de ordem e nós somos obrigados a cumpri-la”, disse em um comunicado. Simples assim? Parece que sim. Na imagem abaixo percebe-se exatamente o momento onde o tráfego de internet no Egito caiu abruptamente.

Eram 5h20min do dia 27 (0h20 no horário brasileiro) quando 93% das redes egípcias estavam inacessíveis, e apenas um provedor, o Noor Group, continuava a servir seus clientes, entre eles a Bolsa de Valores e o Banco Internacional do país. Ainda não se sabe oficialmente por que esse é o único provedor que não foi desligado.

O jornal The Telegraph chamou essa atitude de "sem precedentes na história da Internet”.  Foram afetados também os serviços de telefonia móvel deixando o país totalmente sem comunicação interna e externa. Relatos vindos do Egito informavam que era possível algum acesso a internet usando conexão discada. Tinha até um passo-a-passo ensinando como fazer essa conexão.

Se ninguém tinha percebido ainda o único provedor que ficou no ar é aquele que atendia ao sistema financeiro do país. Será que o governo, com isso, tinha deixado uma porta aberta, para que eletronicamente, transferisse dinheiro para o exterior caso algo desse muito errado? Sem ser adepto a teoria da conspiração, mas as bolsas de valores e os bancos não funcionaram nesse dia.

Essa atitude do governo do ditador Mubarak demonstra o poder que as ferramentas de comunicação online tem e o medo que ela causa em qualquer governo. Protegidos pelo anonimato da internet milhares de pessoas conseguem se organizar. Não é por outra razão que há uma série de medidas para censurar e controlar a internet. No Brasil o Senador Eduardo Azeredo (PSDB) tem um projeto com essa finalidade. 

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