quinta-feira, 14 de abril de 2011

Mesmo aprovada Semana do Hip Hop corre o risco de boicote

Depois de muita polêmica foi aprovado na última terça-feira a criação da Semana Municipal do Hip-Hop. Caxias é uma cidade que já tem inúmeras semanas comemorativas, algumas ganham um imenso investimento do poder público como a Semana Farroupilha, outras mais modestas, são realizadas com menos recursos.

A crítica de alguns vereadores é que a Semana do Hip Hop teria que ser “bancada” pela Câmara de Vereadores, e que não haveria recursos para tal. Essa é uma falsa desculpa já que a casa legislativa faz toda uma publicidade quando,anualmente, devolve recursos não utilizados aos cofres do Executivo. Não causaria, portanto, grande impacto o gasto de algumas dezenas de reais para a realização do evento.

Triste também é ouvir alguns argumentos contrários que beiram ao ridículo. O vereador Eloi Frizzo, demonstrando o desconhecimento profundo do que seja Hip Hop, confundiu um movimento que inclui música, dança, arte e ação social com um gênero musical. Disse o vereador que poderiam ser criadas as “semanas do tango ou do bolero”. Talvez o vereador não saiba que ele não é parlamentar na Argentina, ou Uruguai, locais onde o tango tem importante inserção social que justificaria, sim, uma celebração equivalente.

Outra fala da vereadora Geni Peteffi diz que o Hip Hop já era atendido pela Secretaria da Cultura. No caso um grupo, ou uma pessoa, é uma espécie de agregado da secretaria e a mesma utiliza esse fato para promover atividades musicais pela cidade. O próprio movimento aponta que isso é insuficiente e que se limita a poucas, ou pouca, pessoas.

No final da discussão toda o projeto foi aprovado, não sem muita pressão e a contra gosto do conservadorismo que reina na Câmara de Vereadores. Agora depende muito mais, como sempre aconteceu, do movimento hip hop lutar com seus parcos recursos para desenvolver as suas atividades.

PS: A mesma Câmara que quase negou alguns trocados para o Hip Hop foi extremamente generosa na aprovação de R$ 100.000,00 para uma produtora de Porto Alegre fazer um filme sobre Caxias que quase ninguém viu.

Foto: Letícia Rossetti

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