quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Movimento grevista dos médicos de Caxias chega aos 500 dias

No longínquo 5 de abril de 2010 iniciou o mais longo movimento grevista de história de Caxias do Sul. Na época o Sindicato Médico exigia um salário base de quase R$ 9.000,00. Daquele dia até hoje a paralisação começou 3 vezes, sempre por intervenção da justiça, até que no dia 11 de abril ela começou e não parou, completado 129 dias ininterruptos de greve.

Nesse tempo todo várias entidades tentaram, todas em vão, acabar com a greve. Já houveram audiências públicas, reuniões da comissão de saúde da Câmara de Vereadores, reunião com o Ministério do Trabalho, reunião do Vice-prefeito com o Sindicato Médico, outras entidades, como o Movimento Vivo, e por último a União das Associações de Bairro também começou a se mobilizar. Só quem nunca se reuniu, em 500 dias, foi o Prefeito José Ivo Sartori (PMDB).

A saúde pública é uma responsabilidade do município, ainda mais Caxias tendo gestão plena da saúde, ou seja, ela recebe recursos para atender os seus cidadãos do atendimento básico a internação hospitalar. A prefeitura, além da omissão do prefeito, tomou o caminho judicial e como a justiça não declarou a greve ilegal ela continua, ao que tudo parece indefinidamente, a não ser que...

“Privatização da Saúde”

Uma possível privatização da saúde surge no horizonte. Um modelo de fundação, como o que foi implantado em Porto Alegre, agrada o presidente do Sindicato Médico, Marlonei dos Santos. Porquê? Por que ele é essencialmente medicocentrista, os médicos são a categoria superior e os outros profissionais subalternos, e é mais fácil conceder vultuosos reajustes salariais. Esse modelo também agrada ao prefeito Sartori que é privativista de primeira ordem.

Algumas ações já começaram a acontecer nesse sentido. A discussão sobre a saúde mental no começo do ano já apontava com um convênio com o Grupo Virvi Ramos. A proposta passou em parte, sendo excluída a criação de um “manicônio” com a reunião de todos os programas em um único prédio.

Essa mesma instituição agora passa a administrar o Hospital de Campanha que funcionará no local onde era para concentrar os atendimentos da saúde mental. Nos dois casos o Virvi Ramos é plenamente beneficiado pois, com esses convênios, ele consegue justificar sua filantropia. Em resumo, nesse caso, o dinheiro dos seus impostos está sendo usado para uma entidade privada justificar o imposto que ela fica isenta. Legal, não?

O temor de muitas lideranças de Caxias é que no final desse túnel se esconda a privatização da saúde, ou no mínimo, uma fundação de interesse público. Ao deixar a greve rolar, o serviço piora, a população se sente desprotegida, desassistida, abandonada. Aí vem o discurso privativista dizendo que o poder público não tem competência para cuidar da saúde.

Nesse caso é o prefeito Sartori que não tem competência e coloca em risco a saúde da população de Caxias.

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