quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Hastags não fazem revolução


Se você não sabe o que é uma hastag leia isso primeiro.


Agora que estamos todos falando a mesma língua, o título desse artigo foi retirado, na verdade, de uma palestra que aconteceu durante o 12º Fórum Internacional de Software Livre, que ocorreu em Porto Alegre, na metade do ano. Não quero me alongar muito na palestra. Mas usar esse título como gancho para o assunto que quero comentar.

Então vamos lá. Ontem, feriado de 7 de setembro, além dos tradicionais desfiles de colegiais e militares a mídia tinha mais um assunto. Uma marcha que estava sendo convocada pelas redes sociais, twitter e facebook principalmente, que tinha como foco protestar contra a corrupção.

Apesar de grande agitação na maioria dos lugares o comparecimento foi ridículo. Fora a de Brasília que mobilizou 20 mil pessoas, em São Paulo tinha mil, em Porto Alegre menos do que isso, no Rio de Janeiro tinha umas 50 pessoas e em Caxias, 15! Logo veio a pergunta que inclusive está no Pioneiro de hoje: “A internet mobiliza?”

É aqui que quero voltar ao título desse artigo. Mobiliza sim, mas não sozinha. Pegando como exemplo Navid Hassanpour, estudante de Ciências Políticas da Universidade de Yale, citado pelo colunista Pietro Rubin, ele diz que no Egito, a proliferação dos protestos se acentuou com a atitude do ditador Mubarak de desligar a internet, mas isso ocorreu porque as pessoas começaram a descentralizar os protestos, pois não tinham perdido a condição de se organizar. Outra coisa apontada pelo autor é que com os meios de comunicação fora do ar, as ameaças do aparato estatal não mais eram feitas e as pessoas tomaram coragem suficiente para irem as ruas em todo o pais. Mas isso é bem diferente de dizer que elas estavam vendo “o espetáculo da vida do seu sofá ou do smartphone”, como disse o colunista.

A questão fundamental é que se não for um movimento sincero, vindo da própria rede, as pessoas não embarcam. Isso já ficou provado quando a “marcha dos 17” promovida pelo Pioneiro fracassou também. O que está em jogo é que a causa é legitima sim, mas o problema são os porta vozes.

Quem falou “em nome” dos manifestantes

Essa questão da má companhia fica claro no ato promovido em Porto Alegre no auditório da OAB. O Senador Pedro Simon (PMDB) sugeriu que a sociedade não espere grandes mudanças da classe política, do Executivo ou do Judiciário e se mobilize para acabar com a corrupção e a impunidade. Esse mesmo Pedro Simon é aquele que compactou com as inúmeras denúncias de corrupção ocorridas durante o governo Yeda e foi defensor, de primeira ordem, dela. Parece que ele entende muito sobre acobertar corrupção. Outro nome é da Senadora Ana Amélia Lemos (PP), que até o ano passado era funcionária da RBS onde, por muitos anos, também foi conivente com a corrupção que assolou o Estado.

Logo, com essa turma junto, tem que ficar com um pé atrás, pois são os mesmos que protagonizaram o fracassado movimento Cansei.

Aos bem intencionados

Mas nem tudo é desgraça. Há muitas pessoas bem intencionadas e que querem realmente acabar com a corrupção. Aí é que as redes sociais ajudam, pois como não dependem da “grande mídia” para dar vazão as suas opiniões, essas pessoas bem intencionadas podem, colaborativamente, separar o “joio do trigo”. Mobilizações como essas tem que acontecer cada vez mais, mas pelos motivos corretos. Tem que evitar que oportunistas de plantão, que até a pouco tempo atrás usavam e abusavam da máquina pública, furtem, mais uma vez, as justas reivindicações do povo.

Toda a força as pessoas bem intencionadas e que esses oportunistas sejam rechaçados. 


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Hastags são palavras, que no twitter, são precedidas de um "#". Elas designam um assunto abordado e acessivel para qualquer usuário, tanto para quem quer consultar mas como acrescentar mais informações junto a ela.São muito usadas em campanhas virtuais como por exemplo #iranelection, #forasarney. Para ver as hastags criadas ou acompanhar quantas mensagens uma recebeu acesse esse site: http://www.hashtags.org

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