terça-feira, 8 de novembro de 2011

Estudantes detidos denunciam abuso da PM na operação de reintegração de posse da reitoria da USP

Poesia não amoleceu o coração da PM
Os 73 estudantes da Universidade de São Paulo (USP) presos na madrugada de hoje (8) durante a reintegração de posse da reitoria da instituição denunciaram, em nota pública, abusos da Polícia Militar (PM) no campus. Os estudantes, que seguem detidos no 91º Departamento de Polícia (DP) da capital paulista, disseram que a ação da PM para desocupação do prédio da reitoria “lembrou os tempos mais sombrios da ditadura militar”.

“Nos obrigaram a entrar em salas escuras e agrediram estudantes. Homens com farda e sem identificação”, diz a nota, lida em frente ao DP por Marcelo Pablito, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), que apoia a ação dos estudantes.

Na nota, os alunos presos ainda denunciam que uma aluna que ocupava a reitoria foi trancada em uma sala com policiais. “Levaram todas as mulheres para uma sala fechada e as obrigaram a sentar no chão e ficar rodeadas por policiais homens, com cassetetes nas mãos”.

Para os estudantes, a ação da polícia demonstra o caráter do convênio com a USP para o patrulhamento do campus. De acordo com Pablito, depois do acordo, alunos e funcionários da universidade passaram a ser “vítimas” de ações arbitrárias da PM.

Mais cedo, o major Marcel Soffner declarou que a operação para reintegração de posse da reitoria contou com 400 policiais, alguns deles da Tropa de Choque. Soffner disse também que a operação foi tranquila e sem confronto.

Sobre os possíveis abusos, o major informou que toda operação da PM foi gravada e as suspeitas de agressões serão apuradas. “Tudo foi documentado e, se houver qualquer suspeita, vamos apurar”, disse.

Dos 73 estudantes presos, segundo Pablito, três pagaram fiança para serem libertados. O restante dos detidos segue dentro de três ônibus da PM estacionados no pátio do 91º DP. Eles seguem prestando depoimentos.

Todos os estudantes foram presos em flagrante acusados pelos crimes de desobediência, danos ao patrimônio público e crime ambiental. Os advogados dos alunos vão solicitar à Justiça um habeas corpus coletivo para que sejam libertados sem o pagamento da fiança.

Caso o habeas corpus não seja concedido, alguns sindicatos e movimentos sociais já estão levantando o dinheiro necessário para a libertação dos estudantes. A fiança para de cada estudante detido é de, no mínimo, R$ 545. Inicialmente, a PM havia informado que a fiança era de, no mínimo, R$ 1.050.

A Polícia Militar informou também que, caso não sejam soltos, os estudantes serão transferidos para um centro de detenção provisória depois de ouvidos. Não há uma previsão de quando os depoimentos vão terminar nem de quando a transferência será feita.

Por Vinicius Konchinski 
Repórter da Agência Brasil

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