quinta-feira, 15 de março de 2012

Alagamentos: o caminho que Caxias não deve seguir

Cenas como essa são cada vez mais comuns
em cidades que não investem em saneamento
Ontem um temporal que durou 2 horas e despejou na cidade, nesse tempo, mais da metade do volume de chuvas de um mês, transformou a capital gaúcha num caos. Ruas viraram rios, escadarias transforam-se em cachoeiras, carros e motos arrastados e, como sempre nessa situação, centenas de pessoas perderam móveis, roupas e outras objetos pessoas nas dezenas de pontos de alagamento.

Em janeiro do ano passado foi anunciado, pelo prefeito José Fortunatti (PDT) um mega projeto de drenagem que beneficiaria 6 bairros a um custo de R$ 24 milhões ainda não saiu do papel. O resultado foi o que vimos ontem nas imagens da TV e pelas redes sociais.

Muitos tentam colocar a culpa na população que joga lixo na rua e, por consequência, entopem as bocas de lobo e as redes de escoamento. Tá certo, a população pode ter sua culpa, mas não é única não. Os bairros que mais sofreram com o alagamento são os que tem uma grande densidade populacional e as galerias de esgoto estão subdimencionadas. Fazer apenas manutenção ajuda, mas não resolve, e a prefeitura, esqueceu, como a própria Zero Hora apontou, de fazer obras para minimizar os efeitos das chuvas nesses lugares.

Outra questão é que recetemente a prefeitura instalou a coleta de lixo mecanizada, por containers, como em Caxias. Mas com uma grande diferença. Na capital não há recepiente para lixo seletivo. Se você separar o seu lixo só sobra duas opções ao levar ele para o recolhimento: ou mistura tudo ou coloca o seletivo do lado de fora do container. Com a chuva de ontem o leitor já pode imaginar para onde foi todo o lixo que estava esperando ser recolhido, né?

Este é só um exemplo de como falhas de planejamento levam a situações catastróficas. Todo o lixo seletivo (papelão, plástico, garrafas, vidros, etc), que foi separado pela população e estava aguardando o recolhimento foi parar nas galerias de escoamento, que, por consequência ira gerar problemas nas próximas chuvas.

Em Caxias do Sul, recentemente, um temporal semelhante aconteceu. Na nossa cidade, também, vários bairros foram alagados e a tragédia humana se repetiu. No caso de nossa cidade o fator de descaso do poder público também foi evidente.

Há 4 anos atrás, durante as eleições para prefeito, o candidato a reeleição, José Ivo Sartori, que ganharia as eleições, fez um programa eleitoral onde mostrava os moradores do bairro São José, um dos mais atingidos pelos alagamentos, elogiando o prefeito/candidato pelo fim dos alagamentos na região. Passados quatro anos os alagamentos retornaram e novas "obras", que já deveriam ter sido feitas são anunciadas.

Realmente foi feito um trabalho, em 2008, para limpeza e melhoria das galerias de escoamento da região do São José. Só que nada mais foi feito nos anos seguintes. A quantidade de pessoas morando na região aumentou, e muito, a impeermeabilização do solo também, e ainda houve obras, da própria prefeitura, que reduziram o tamanho das galerias, como foi denunciado pelo vereador Mauro Pereira (PMDB), da base do governo.

Ontem iniciaram as obras de uma das 5 lagoas de contenção que serão construídas para absorver as águas das chuvas e liberar ela num volume suportável pela rede de escoamento. Essas obras era previsíveis e precisou, uma grande enxurrada, para que o poder público fizesse sua parte. Durante 4 anos o Samae preocupou-se somente com o Marrecas e deixou toda a cidade abandonada. Agora as obras estão sendo feitas. Só esperamos que não vire politicagem na época das eleições.

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