sexta-feira, 27 de abril de 2012

Prefeituras que pagam cachês para artistas: a eterna polêmica

Polêmica tão garantida quanto aumento de salário de vereador é a contratação de artistas pelo poder público, principalmente quando sai os valores dos chachês. Se o artista for de "renome nacional" então a polêmica é aumentada. Dois fatores contribuem para isso. Um deles é culpa do próprio poder público que não fomenta a cultura em suas cidades e outro são os "produtores culturais" que aproveitam eventos como feiras para ganhar um troquinho extra. No meio disso ficam o artista e o contribuinte.

A mais recente polêmica envolveu a prefeitura de Bento Gonçalves e o cantor/escritor Gabriel, o pensador. Escolhido como patrono da 27ª Feira do Livro da cidade, foi firmado um acordo entre as partes que envolvia não só a participação de Gabriel na feira. Havia a aquisição para distribuição aos alunos de 2 mil livros, um show, custos de deslocamento e hospedagem da banda. Ao todo o valor do pacote era de R$ 170 mil.

Houve uma gritaria geral! Tinha desde artistas realmente preocupados com um investimento elevado em um único artista, que se dividido, poderia render muito mais culturalmente, até oportunistas de olho nas eleições municipais de outubro. A polêmica foi tão grande que levou Gabriel e a Prefeitura de Bento Gonçalves desistir do show e da distribuição de livros. Agora Gabriel, o pensador, será o patrono da Feira do Livro, onde fará palestras, gratuitamente. Se os livros são bons eu não sei. Se eram caros, talvez fossem. Mas sabemos que se investe pouco em cultura de um modo geral e, quando se investe, invariavelmente é dinheiro público. A iniciativa privada é só conversa.

Como foi o caso de Caxias do Sul. Na nossa cidade não houve um cachê tão grande na Feira do Livro, ou houve? Mas aqui se gastou um valor semelhante, R$ 100 mil, em um filme que quase ninguém viu. Vocês lembram da polêmica do patrocínio, para uma produtora de Porto Alegre, que iria fazer um filme sobre o centenário de Caxias? Então, no final de 2009 o Executivo mandou um projeto para a Câmara de Vereadores para uma doação de R$ 100 mil para uma produtora que estava fazendo um filme sobre o centenário de nossa cidade. O filme tinha Lei de Incentivo à Cultura Federal, porém não tinha conseguido captar dinheiro suficiente com a iniciativa privada, aí foram pedir socorro a prefeitura (viram como são as coisas?).

A proposta aprovada com larga margem de vantagem na Câmara concedia esse valor. A justificativa na época dadas pelo Secretário de Cultura, Antonio Feldmann (PMDB), eram espetaculares. O filme ficaria pronto para a Festa da Uva de 2010 (não ficou, nem para o aniversário de Caxias, só terminou no final do ano), ele seria exibido nos cinemas (foi uma curta temporada no GNC e no Ordovás), nos ônibus do expresso caxiense (alguém viu?) e até em aviões. Escolas, sindicatos, entidades, associações de moradores, etc, teriam cópias do filme (alguém recebeu). Era tão ufanista que quase teria uma cópia para cada família. No final o filme não ficou pronto no momento combinado e pouquíssima gente assistiu. E foram-se R$ 100 mil que poderia ter sido investidos em mais de 10 outros projetos culturais.

As situações são semelhantes mas o final da história foi diferente. Em Bento a classe cultural gritou (com razão ou não) e levou. Em Caxias a prefeitura passou o rolo compressor por cima da cultura e fez o que bem quis.

Em Santa Catarina dinheiro público para Paul MaCCartney
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A Santur é uma empresa pública de Santa Catarina e que entrou com a bagatela de R$ 800 mil, com inexibilidade de licitação, para que a RBS locasse o estádio do Avaí, a Ressacada, para o show do ex-beatle. A RBS (da Zero Hora, Pioneiro, Diário Catarinense entre mais de uma dezena de veículos que ela é dona) precisam de dinheiro público tão expressivo?



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