domingo, 15 de abril de 2012

Veja parte para o ataque e esconde relações com contraventor


Acuada, silente e apreensiva, a Veja das últimas semanas não era aquela Veja combativa que os brasileiros aprenderam a amar ou odiar nos últimos anos, dependendo da tendência política. Nesta semana, a principal revista semanal do País retomou a velha verve, ao denunciar, na sua capa, a suposta armação do PT para apagar o escândalo do mensalão. A capa fala na “cortina de fumaça do PT para encobrir o maior escândalo de corrupção da história do País”.

Na carta ao leitor, o diretor de Redação, Eurípedes Alcântara, atribui ao ex-presidente Lula a suposta armação para apagar os rastros do mensalão. Intitulado “a farsa de que foi farsa”, o texto de Eurípedes fala que apenas o câncer na laringe foi capaz de adiar a ofensiva de Lula. E que, agora, curado, ele se lançou à tarefa hercúlea de tentar apagar o escândalo da memória coletiva. Ainda segundo o diretor de Veja, o mensalão é mais documentado esquema de corrupção da história do País.

De Eurípedes, no entanto, não se leu uma única palavra em defesa do redator-chefe Policarpo Júnior, que foi gravado em diversas conversas com Carlos Cachoeira. Produções cinematográficas ilícitas do bicheiro, como os casos de Maurício Marinho e dos corredores do Hotel Naoum, foram o ponto de partida para diversas denúncias de Veja nos últimos anos. Há uma corrente na Abril que defende a saída de Policarpo para estancar os danos e evitar a humilhação que poderia representar a convocação de Roberto Civita, dono da editora, à CPI. O jornalista, no entanto, é querido entre os colegas e tem uma galeria de serviços prestados à revista. O caso divide a redação.

Nesta semana, Veja foi à guerra. Pois desta vez, além de simplesmente denunciar escândalos, a revista será também personagem relevante de uma CPI, no papel de protagonista.

A decadência

Nascida em plena ditadura militar e apesar de ter sido censurada algumas vezes, a Veja sempre foi abertamente conservadora, porém ela mantinha uma coisa que é fundamental no bom jornalismo: objetividade. Com a eminente vitória do governo Lula mudou drasticamente o papel dessa publicação. Seu corpo editorial decidiu que deveria derrubar o governo.

Folhar as páginas da Veja é entrar em um outro Brasil. Na seção de carta não há uma só carta que defenda o governo federal, algo que como mostram as pesquisas deveria acontecer em 77% dos casos já que é essa a popularidade de Dilma. Porém o sectarismo é tanto que só são publicadas cartas mal escritas e raivosas.

As matérias então babam ódio. O nível editorial é tão baixo que a revista usa-se de expressões como "Josef Stalin, o ditador soviético ídolo de muitos petistas", " formigas guiadas por feromônios", "Papai Stalin ficaria orgulhoso dos pupilos." e outras insanidades.

Tudo isso não saiu barato para a Veja. Esse ódio mortal de Lula e Dilma fez com que a circulação da revista caísse, o número de assinaturas diminuísse e até o número de anunciantes é menor. Isso pode ser visto, para quem conhece a publicação há mais tempo, que ela está beeeeem menor em número de páginas.

Na edição dessa semana a Veja dá uma aula, de como não fazer jornalismo. Para tentar criar a cortina de fumaça sobre as acusações que recaem a ela própria ela tenta justificar as ligações estreitas com um contraventor dizendo assim:

"Qualquer repórter iniciante sabe que maus cidadãos podem ser portadores de boas informações. As chances de um repórter obter informações verdadeiras sobre um ato de corrupção com quem participou dele são muito maiores do que com quem nunca esteve envolvido."

Para a Veja é melhor falar com bandido do que falar com cidadãos de bem. Esse é o nível dessa públicação.

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