sábado, 28 de julho de 2012

A fobia de internet da direita brasileira

Serra reunido com o CEO do Twitter Shailesh Rao
Publicado orinalmente no Blog Aldeia Gaulesa


Cada vez mais se escancará a verdadeira fobia que a internet provoca na direita brasileira. A direita sempre gozou de um amplo apoio e amparo da grande mídia empresarial para lhe dar sustentação e garantir que suas opiniões fossem "vendidas" como "verdades hegemônicas", sem espaço para o contraditório e o livre debate democrático.

A crescente expansão e disseminação de conteúdos através das ferramentas na internet (blogs, redes sociais, etc) tem gradualmente rompido com este exclusivismo da velha mídia sobre a informação. Isto tem sido motivo de verdadeiro pânico para a direita brasileira, prova disto é a representação feita pelo PSDB nacional na Procuradoria Geral Eleitoral do Ministério Público Federal (MPF) pela qual pede investigação sobre o patrocínio de empresas públicas (como a Caixa Econômica Federal, Petrobrás, etc) a sites e blogs progressistas e independentes.

A ação do PSDB é meramente intimidatória, tentando de alguma forma silenciar algumas vozes dissonantes, na vã tentativa de silenciar a rede. Não se trata de questionar o uso de recursos públicos federais em publicidade e propaganda. Se ela realmente buscasse isso seriamente, haveria de tratar do conjunto: quais são os gastos de governos federal, estaduais e municipais com propaganda? Quanto recebem a Globo, a Veja, a Folha e o Estadão proporcionalmente? Qual o motivo desta representação se destinar a apenas alguns blogs, esquecendo de outros que também recebem patrocínio publicitário? Os governos não poderiam reduzir estes custos investindo mais na internet, por exemplo, dada a crescente capacidade de disseminação de informações através das redes sociais?

A "webfobia" da direita, comandada pelo PSDB, não se restringe apenas a blogosfera, José Serra se reuniu com o vice-presidente do Twitter Shailesh Rao. O conteúdo da reunião não foi divulgado, mas coincide com dois fatos recentes (a foto de Serra caindo de Skate esuas possíveis ligações com o esquema de Cachoeira) que podem revelar uma tentativa, desesperada, de Serra de tentar censurar a internet.

Nas eleições de 2010, Serra viu sua farsa da bolinha de papel ser desmontada pela internet, impedindo sua tentativa de ganhar as eleições através de um golpe midiático. Naquela oportunidade, assim como em tantas outras, o que imperou não foi um "comando central" que determinou que miliares de internautas se manifestassem contrários a manipulação da "bolinha de papel", mas sim a própria dinâmica da internet. Como bem apontou Luiz Carlos Azenha, a dinâmica da rede é horizontal, "Não é estruturado hierarquicamente. Não obedece a comandos. O valor das opiniões não está na autoridade, nem no currículo, nem no status do autor: deriva da qualidade, da lógica, da originalidade da argumentação. Deriva da capacidade de apontar algo que outros não notaram. De desvendar conexões encobertas. De colocar fatos em perspectiva histórica. De ajudar a concatenar e, portanto, fixar ideias que circulavam desconexas no 'inconsciente coletivo digital'. Simplificando, quando a piada é boa ganha o mundo."

Exemplificando, não foi nenhum "blogueiro petista" que inventou o tombo de Serra. Podemos até acreditar que a foto foi feita em um momento autêntico de descontração, mas ela ganhou a repercussão que teve por cristalizar a imagem de um candidato tentando parecer o que não é: jovem.
A rede não pode ser silenciada ou manipulada. Sua dinâmica própria e horizontal, com todas as suas limitações, não é passível de ser intimidada por Serra, PSDB e o conjunto da direita brasileira. O que fica evidente neste conjunto de fatos é que a direita não entende a internet, não compreende como se constitui a "esfera pública" da rede. As suas velhas maneiras de manipular a informação hoje encontram-se fragilizadas e com menor menor força. Enquanto a direita permanece presa a esta lógica superada, a rede, mais uma vez, deverá se impor. Para o pânico da direita brasileira.
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