O assassinato da mulher da paz

O assassinato de Sílvia Aparecida de Miranda, ex-agente de saúde e integrante do projeto Mulheres da Paz em Passo Fundo comoveu todo o Rio Grande do Sul. É triste ver uma liderança comunitária, militante dos direitos humanos, mãe de cinco filhos, lutadora incondicional pelos direitos da mulher, tombar desta forma. Ao tentar defender a filha da agressão física, foi brutalmente assassinada pelo seu genro na quinta-feira, 25 de outubro.

Justamente uma das mulheres que, com coragem, humildade e muita força lutava pela implementação do Território da Paz em seu município, acaba vitimada pela violência. Sílvia era uma daquelas mulheres que batalhava pela autonomia das mulheres através da formação educacional e profissional, de maiores oportunidades de emprego, da garantia do título de propriedade das habitações populares para a mulher. Lutava pelo protagonismo feminino numa sociedade culturalmente patriarcal, onde a mulher é vista muitas vezes como propriedade ou objeto de alguém. Quesitos como a autonomia e o protagonismo, são elementos fundamentais para o enfrentamento à violência, a transformação cultural e a construção de uma sociedade em que todos possam viver em situação de paz, independente de gênero, raça, deficiência, orientação sexual, religião ou ideologia.

A Mulher da Paz Sílvia se foi, mas a sua luta continuará a inspirar todos os homens e mulheres defensores do fim da violência contra a mulher. Levaremos adiante o seu legado e trabalharemos até o último dia para mudar esta realidade. Também estaremos muito atentos nas investigações em curso, buscando que a verdade prevaleça e a justiça seja feita.

Texto escrito por Aldacir Oliboni relator da Subcomissão da Mulher da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.

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