Transferência do Camelódromo vira imbróglio

Não se pode dizer que a Prefeitura está tentando mudar a localização do Camelódrono de última hora. O fato é que essa discussão começou ainda em janeiro desse ano. Essa ressalva tem que ser feita para entendermos o imbróglio que a prefeitura se meteu nesse final de ano.

Primeiro houve conversa entre prefeitura e comerciantes. Porém, ao que parece, a representação dos "lojistas" não é tão legítima como achava que era. Depois de baterem o martelo na nova localização, 55 dos 60 comerciantes que ocupam o camelódromo assinaram um documento contrário a proposta, ou seja, quem participou da negociação representa só 10% dos representados.

Segundo. As negociações foram feitas "na surdina". Se houvesse uma maior divulgação provavelmente o problema teria sido descoberto antes. O governo Sartori agiu sob seu ponto de vista de maneira correta. Como ele não gosta de discutir com o conjunto dos interessados nenhuma questão, o governo municipal empodera "representantes" da categoria. Isso gera, normalmente, grande problemas, pois as lideranças fecham acordos sem a concordância das demais pessoas. Esse mêtodo é bastante tranquilo para o poder público pois é só fazer um agradinho a mais, um churrasquinho ali, uma fotinho ali, um ponto mais privelegiado acolá e está tudo definido.

Terceiro. O local escolhido, com o perdão da palavra é uma droga. Somente a base do governo, mesmo assim a contragosto e um ou dois jornalistas da grande imprensa acha que um canto da Marechal Floriano pode ser tornar um centro de compras. Justificar que com estacionamento, praça de alimentação e banheiro irá aumentar o número de clientes é uma coisa tão ingênua que chega a dar medo ao pensar que são essas pessoas que querem ser formadores de opinião em nossa cidade.

Esse modelo de comércio popular precisa essencialmente da rua. Coloca-lo em local fechado significa um atestado de morte para aqueles pequenos empreendedores. É mais fácil fechar o camelódromo de uma vez do que deixá-los a míngua.

O novo local é tão bom, mas tão bom que está fechado a anos. Nem uma rede de supermercados conseguiu manter ele viável, e comida todo mundo precisa. Agora imaginem como vai ser quandos 60 camelôs se mudarem para lá.

A discussão ficou parada durante as eleições e chegou na semana passada à Câmara de Vereadores. Lá a Comissão de Legislação Participativa chamou uma audiência pública e em face da grande divergência entre a proposta do Executivo e o anseio da maioria dos lojistas, foi criado um grupo de trabalho que pretende discutir mais a fundo a questão. O atual prefeito pediu que o futuro prefeito, Alceu Barbosa Velho (PDT) participasse da reunião, porém ele lavou as mãos e disse que esse é um problema do governo atual.

A proposta de remover o Camelódromo tem como objetivo alargar a Moreira Cesar (sempre os carros tem preferência) e de uma revitalização da Praça da Bandeira. A proposta da prefeitura é que os comerciantes sejam tranferidos para o prédio da antiga Comercial Cesa, que fica na Marechal Floriano. Um grupo de lojistas propõem que eles fossem transferidos para um estacionamento que existe na frente da praça. 

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