quarta-feira, 10 de abril de 2013

Nos 100 dias do Governo Alceu a Caxias da propaganda eleitoral dá espaço à Caxias da realidade

Alceu: Cidade de ilusão vendida na campanha eleitoral
não existe na realidade; [Foto: Andréia Copini]
A grande constatação que fazemos nos primeiros 100 dias de governo Alceu Barbosa Velho (PDT) é que a cidade de fantasia vendida na campanha eleitoral está dando lugar a cidade de verdade com todas as mazelas que foram escondidas.

O governo Alceu é um governo de continuidade, "pero nõ mucho". Desde o início do seu governo diversos problemas do governo Sartori (PMDB) começaram a aparecer.

Atuação de Alceu

Nesses poucos dias Alceu mostrou que como prefeito ele gosta mesmo é de um bom rodeio. Tanto que faz a agenda de governo em torno da agenda dos rodeios. Do alto de seu cavalo, como foi retratado pelo Pioneiro, o prefeito não se somou a comoção nacional, e até internacional, com a tragédia em Santa Maria e manteve as atividades do rodeio que estava acontecendo naquele domingo. Eventos como o Planeta Altantida e até a rodada do Campeonato Gaúcho foram canceladas. Alguns eleitores criticaram a postura do prefeito e o nosso mandatário municipal resolveu ironizar as críticas.

Essa atitude foi repetida recentemente quando Alceu bancou o desinformado quanto ao protesto de estudantes que acontecia em Caxias. Pessoas criticaram sua infeliz postagem no Facebook e sua atitude? Bloqueou os usuários e apagou os comentários.

O lado, divulgado pela mídia, de um prefeito que é bom de diálogo não se sustenta na prática. Alceu pode ser bom de receber as pessoas em seu gabinete, na sua área de conforto. Porém para debates públicos só se eles não tiverem risco de confrontarem o prefeito. Isso é tão verdade que ele não foi na Assembleia Geral da UAB (que congrega todos os presidentes de bairro). Apesar do governo contar com a ausência de crítica da entidade de moradoras, mesmo assim Feldmann foi representá-lo.

A propaganda eleitoral mostrou mas na vida real era bem diferente

Mentira tem perna curta, já diziam nossas mães. Duas grandes lorotas foram contadas como verdades absolutas na área do Saneamento. A primeira foi a inauguração do Marrecas. Feita com grande pompa pelo ex-prefeito Sartori, o Marrecas ainda está longe de ficar pronto. Motivo: a água não chega a lugar nenhum! Falta construir as adutoras que levarão a água até nossas casas. Segundo o diretor presidente do Samae, Eloi Frizzo (PSB), a previsão é para julho. A situação é tão pitoresca que Eloi usa um trocadilho para ilustrar: "O Marrecas é como a Arena do Grêmio, foi inaugurada mas não tá pronta". A segunda diz respeito a cobertura de esgoto tratado em Caxias do Sul. Durante a propaganda eleitoral o então candidato Alceu falava em 86%. A realidade é que pouco mais de 50% da população é atendida por esgoto tratado. Os 86% só serão alcançados com a conclusão das novas estações de tratamento que ainda dependem de recursos federais.

Outra cidade que apareceu pós eleição é aquela dos reajustes dos preços dos serviços públicos. A tarifa de ônibus subiu 8%, a tarifa de água 19%, a de coleta de lixo em até 112%. Além disso há o Fundo Municipal de Recursos Hídricos que já somam R$ 16 milhões em recursos cobrados indevidamente e que o Samae está jogando a devolução para o futuro.

Outra revelação foi a da farra das horas extras. Na Secretaria de Obras a situação era tão escandalosa que praticamente todos os servidores cometiam essa irregularidade. Quem fazia isso tinha conivência das chefias e dos Secretários. Alceu alega que a situação foi revertida. Isso não é verdade. As horas extras continuam quase como eram e os Secretários que autorizaram tamanha barbaridade não deram explicações para a população.

Um governo loteado

A primeira promessa que Alceu cumpriu foi a de dar um CC8 para cada partido que integrasse a sua coligação. Fez até mais. Garantiu CC8 para o PCdoB e para o DEM que ingressaram no governo depois das eleições. São 19 partidos que dividiram entre sí 301 CCs. O custo anual do Mensalinho do Alceu é de R$ 6 milhões usado para manter a "base do governo coesa".

Por pouco, muito pouco, Alceu não cometeu nepotismo ao nomear sua esposa, Alexandra Baldiserotto, como Coordenadora de Comunicação da Prefeitura, com um CC8. Ele percebeu que a situação ia pegar muito mal e inventou um subterfúgio: Alexandra, que é servidora pública, assume a coordenação e mantem o seu salário anterior. Resta saber até quando essa "bondade" vai durar.

Atuação dos Secretários


A maioria dos Secretários teve uma atuação discreta. Adiló Didomênico (PTdoB) começou a ano denunciando a farra das horas extras, que acontecia a muito tempo, em sua secretária. Adivandro Rech (PP) mudou a política de podas que era adotada pela sua secretaria, a do Meio Ambiente, e afirmou que os "assassinatos de árvores" não acontecerão mais. Paulo Dahmer (PSB) deu o braço a torcer e aceitou discutir, com os interessados, sobre a mudança do local do camelôdromo. A proposta defendida pelo Governo Sartori foi amplamente rejeitada pelos futuros lojistas e um novo local foi escolhido.

A bola fora do secretariado ficou por conta de Washignton, dos Esportes, que parece ter saudades do tempo em que era pop não produziu nenhuma proposta relevante e ainda faltou o trabalho para ir até o Rio de Janeiro assistir, como convidado da Rede Globo, o jogo entre Fluminense e Grêmio.

Coube a um colega de partido, Edson Nespolo (PDT), que por sua fidelidade ao Sartori acabou num cargo de pouca expressão, iniciar o debate para a sucessão da prefeitura em 2020! Nespolo, extremamente carrerista, se antecipou e muito, a um movimento que pode rompera a aliança com o PMDB.

Politicas públicas contra os interesses da população

O governo de faz de conta continua nesse mandato. Alceu comemora a inclusão de 150 crianças na pré escola (tem mais de 2 mil na fila) e em contrapartida fecha 3 Centros Educativos. Na Saúde continua a falta de médicos, filas monstruosas para Pré Natal e o governo negocia, secretamente, com o Sindicato Médico, um reajuste salarial que não será repassado para as outras categorias de curso superior do serviço público.

Além disso encaminhou dois vetos de projetos aprovados na legislatura passada. Um deles, a pedido das empresas de construção, derrubou o projeto que previa a obrigatoriedade de sistemas de reuso de água (que seria muito bom para o meio ambiente) e o segundo que melhorava a lei de meia entrada para estudantes e que garantia que ela realmente fosse cumprida. Os dois vetos foram mantidos pela base do governo na Câmara de Vereadores.

Relação com o governo Dilma

Alceu diz que votou em Dilma, seu partido, PDT, é base do governo federal. Ele diz que votou, embora estivesse meio constrangido. O PMDB de Sartori também, mas Sartori foi de Serra. Caxias é inundada de recursos fedarais. Boa parte das obras do Governo Sartori (Marrecas, asfaltamento do interior, escolas infantis, postos de saúde, habitação e infraestrutura) saíram graças aos governos Lula e Dilma.

O governo federal anunciou R$ 110 milhões em recursos para a cidade. Provavelmente boa parte das obras que serão anunciadas como conquistas do governo Alceu serão feitas com dinheiro do governo federal.

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