Corporativismo Médico: revoltante!

A Presidenta Dilma anunciou o plano de "importar" 6 mil médicos de países europeus e de Cuba. Os países da Europa sofrem hoje uma crise econômica bastante acentuada, que gera um crescente desemprego como há muitos anos não se verificava por lá. Já Cuba é notoriamente conhecida por ter um arsenal técnico-médico avançado e um índice de saúde muito melhor que o brasileiro.

São revoltantes as manifestações contrárias do Conselho Federal de Medicina (CFM) ao plano. Os representantes do Conselho dizem que não há falta de médicos no Brasil e que o governo quer apenas favorecer Cuba. Engraçado que as declarações de ojeriza se referem apenas aos médicos cubanos.

Hoje o Brasil possui apenas 1,8 médico para cada mil habitantes, sendo que o recomendável pela OMS é de pelo menos 2,7 médicos a cada mil habitantes. Países europeus possuem em média 4 médicas para cada mil habitantes e por lá não há problemas em aceitar profissionais estrangeiros.

O corporativismo que gera mazelas

O corporativismo médico brasileiro, que só faz encher os bolsos desses profissionais, é um dos maiores responsáveis pela crise na saúde que existe hoje.

É esse corporativismo que não permite que novas faculdades de medicina sejam criadas e novos profissionais entrem no mercado – a chamada reserva de mercado. Assim, os profissionais podem cobrar o quanto querem pelas suas consultas, a ponto de certas especialidades serem encontradas apenas em atendimento particular.

Esse corporativismo não permite que o poder público contrate médicos em todo o território nacional, pois como eles têm o poder de escolha, pequenas e longínquas cidades, mesmo oferecendo remunerações de cerca de R$ 17.000,00 mensais, não conseguem profissionais.

As nossas unidades básicas de saúde, responsáveis pelo atendimento médico inicial, baseado no trabalho em equipe multiprofissional, são importantíssimas para o atendimento básico e preventivo. É justamente aí que faltam profissionais e para onde irão os médicos “importados”.

É esse corporativismo que gera as filas quilométricas em nossos postos de saúde e hospitais e os representantes médicos ainda acham que são pouco valorizados e que a entrada de profissionais estrangeiros vai prejudicar o atendimento no Brasil.

Convenhamos, quando os olhos de um profissional transforma-se em um cifrão quando ele deveria se preocupar primordialmente com os seres humanos, nada mais importa a não ser a manutenção desse status quo. Custe o que custar.

Que venham os médicos cubanos, europeus, latino-americanos. Nossa população precisa de vocês!

Só é ruim para os outros


A ferocidade das declarações do Sindicato Médico e do Conselho Federal de Medicina contra a qualidade da formação dos médicos parece não servir para os próprios médicos. O presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul, SIMERS, Paulo de Argollo Mendes, teve seus filhos formados, em medicina, em Cuba!

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