segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Fracassa a "Operação 7 de Setembro"


Foto: Juliana Bevilaqua
Chamada para ser o "maior protesto da história" a Operação 7 de Setembro (OP7) resultou num barulhento fracasso. Barulhento por que ela só ganhou as manchetes pelas cenas de vandalismo, a esmo, patrocinada por um grupo fantasiado de anarquistas. Queremos ressaltar o termo "fantasiado" pois promover quebra-quebra sem alvo definido não é tática de ação direta utilizada pelo movimento anarquista (você pode não concordar mas tem que conhecer para falar).

As mais de 400 mil pessoas que haviam confirmado a participação nos atos chamados pelo OP7. Desse total pouco mais de 1% foram as ruas por essa mobilização. Os protestos com maior público ficou por conta do Grito dos Excluídos, que há quase 20 anos, realiza mobilizações no dia da independência.

Em Caxias do Sul o evento com quase 1000 confirmados resultou em cerca de 30 pessoas! que trancaram uma Sininbu deserta.

Mas o que explica tamanha desmobilização?


Primeiro o fato de que grande parte dos eventos foram criados ainda sob o efeito das mobilização de junho e obtiveram o maior número de confirmações naquela época. Passados dois meses, e sem haver uma mobilização mais permanente, o movimento esfriou.

O segundo motivo foi a inexistência de um núcleo que continuasse mobilizando e discutindo com as pessoas que participavam. A maioria das pessoas, que são acostumadas a ir em manifestações, pularam fora do barco ao ver que, em muitos casos, pautas de direita estavam sendo construídas (veja aqui). Quem só foi a protesto em junho saiu fora porque ficou receoso com a violência e as depredações que aconteciam em todos os atos.

 O terceiro motivo foi a arrogância dos "organizadores" ao achar que só pelo Facebook se resolveria a convocação de uma manifestação. Deslumbrados acharam que não precisavam dos movimentos sociais que há anos participam de mobilizações. Estavam enganados. O Facebook é uma ferramenta. É igual a um panfleto. Serve para mobilizar, com muita eficiência, mas não substitui a organização real.

O quarto motivo é que faltou um fato relevante que pudesse catalisar as "revoltas". Não havendo um foco central, não há diversidade de pautas que consiga sustentar um ato.

Resumo da Ópera. Onde houve uma construção mais coletiva de organizações, de qualquer tipo, os atos até aconteceram e tiveram alguma repercussão. Onde somente a convocação foi feita pela rede eles resultaram em fracasso.

O Grito dos Excluídos


Foto: Ramiro Jurquim
A 19ª edição do Grito dos Excluídos tinha como chamada "Juventude que ousa lutar constrói o projeto popular". O Grito é convocado por movimento sociais, muitos deles ligados a Igreja Católica, mas reúne, também o movimento sindical, estudantil e partidos de esquerda.

Em Porto Alegre a manifestação ocorreu junto ao desfile de 7 de Setembro e percorreu ruas do centro da Capital. Uma das principais pautas era a democratização dos meios de comunicação com fortes críticas a Rede Globo (que recentemente admitiu que apoiou o golpe militar) e sua representante local a RBS. Além disso a pauta do movimento contava com reivindicações por mais saúde, com o apoio ao programa Mais Médicos; por moradia, educação e pela desmilitarização da polícia.

Um pequeno grupo, entretanto, forçou o confronto com a Brigada Militar quando a manifestação já estava se dispersando.

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