quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Da invasão a privatização

Depois de invadirem uma área pública e construírem uma casa no local, o próximo passo é privatizar o acesso. Essa é a ideia, de jerico, dos organizadores do Mississipi Delta Blues Festival, para evitar a retirada da Front Porch, ou a casinha, que serve como um dos palcos do Festival. A estrutura foi construída em 2010 e, apesar dos termos de cedência sempre exigirem que toda a estrutura montada deveria ser retirada ela foi ficando, ficando, ficando. Esse ano com o aparecimento de uma polêmica entre as relações, não transparentes, entre os organizadores e a prefeitura (veja aqui), o secretário de cultura, João Tonus, afirmou que a estrutura teria que ser removida. Na quinta feira passada o secretário afirmou: "Daqui a pouco é uma invasão, daí vão nos questionar sobre como a gente deixou criar uma invasão em um terreno público".

Entretanto os organizadores do evento estão tentando criar empecilhos para a desocupação do espaço público. Durante o festival um abaixo assinado estava circulando pedindo para que a estrutura não fosse desmontada. Hoje surgiu mais uma ideia. Toyo Bagoso, um dos organizadores do evento vai apresentar a proposta que local abrigue o "Museu MDBF - Museu da Imagem e do Som", com uma retrospectiva de todas as edições do MDBF por meio de fotos e vídeos.

A proposta é cercar o local com grades moduláveis na parte da frente que possam ser retiradas durante a realização de eventos e abrir para visitação de terça-feira a domingo, das 14h às 18h. Terça-feira a entrada seria gratuita e na quarta-feira funcionaria com a proposta de ingresso sugerido. De quinta a domingo, a visita custaria R$ 4,00 e R$ 2,00 para estudantes. A verba arrecadada seria revertida para os custos com a segurança do local.

A ideia, estapafúrdia, cria um museu, pago, em um local público, destinado a fazer propaganda de uma empresa privada. Sim, existe uma entidade de fachada que organizada o festival e que pode captar recursos públicos, a Associação Moinho da Estação (AME) ela é responsável por registrar e captar recursos, mas o evento tem o nome e a publicidade, direcionado para uma casa noturna, o Mississipi.

A ideia do museu do MDBF não é ruim, desde que o Mississipi, o bar, construa ele numa área dele. Aí ele pode cobrar o quanto quiser. É inaceitável que espaços públicos sejam invadidos por uma empresa privada e depois ela cobre para as pessoas acessá-lo.

Uma coisa tem que ficar bem clara nessa discussão. A preservação do patrimônio público tem que estar acima dos interesses individuais ou privados. Não pode, a qualquer hora, por interesses próprios, um cidadão modificar ou se apossar de áreas públicas. Se fosse um pai que colocasse uma casa lá pra morar com a família haveria um abaixo assinado pedindo sua permanência?

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