sábado, 16 de novembro de 2013

Por que prender Zé Dirceu não vai mudar o Brasil

Zé Dirceu e os “mensaleiros”, ao contrário do que estes órgãos de desinformação tentam lhe convencer, não são a causa da corrupção na política, mas a consequência dela. Infelizmente, no Brasil, para eleger um político é preciso ter dinheiro, muito dinheiro. E é preciso fazer alianças com Deus e o Diabo. Não foi Zé Dirceu que inventou isso, é a forma como a política é feita no País que leva a essa situação. As campanhas são financiadas com dinheiro de empresas, bancos, construtoras. Você daria milhões a um político? E se desse, não ia querer nada em troca? 
O pequeno trecho acima é de autoria de Cynara Menezes que tem um dos blogs mais lidos no Brasil. Ela faz uma importante reflexão nesse momento em que os condenados pela AP 470, o chamado "mensalão" estão sendo presos.

A resposta nos salta os olhos. O Brasil não mudará com essas 25 prisões. E o jeito de fazer política também não. Quem está realmente com o poder econômico e muitas vezes político continua solto e não estou falando do Lula.

Sem uma reforma profunda, todos os males da política continuarão a existir no Brasil a despeito da prisão de Dirceu ou de quem quer que seja. Leia o noticiário, veja se a reforma, a despeito das promessas após as manifestações de junho, está bem encaminhada. Que nada! Ao contrário: o financiamento público de campanha foi o primeiro item da reforma política a ser escamoteado pelos congressistas. Não interessa aos políticos que o financiamento privado acabe –e, não sei exatamente por que, tampouco interessa à grande imprensa. Nem um só jornal defende outra forma de financiar a política a não ser a que existe hoje, bancada pelo dinheiro das mesmas empresas que irão lucrar com os governos. Uma corrupção em si mesma.

Não vamos nem falar da compra de votos patrocinada por FHC para passar a emenda da reeleição, nem do escândalo dos "anos do orçamento", aquele onde o deputado João Alves dizia que sua fortuna advinha de ter ganho dezenas de vezes na loteria.

Lembramos a partir do Mensalão Mineiro, que foi onde Marcos Valério criou o esquema que seria mais tarde chamado de Mensalão. O caso é de 1998 mas só em 2007 houve a denúncia e só em 2009 o julgamento do (hoje deputado federal pelo PSDB/MG) Eduardo Azeredo começou sendo que até agora, quatro anos depois, não houve qualquer movimentação.

Ou então o Mensalão do DEM que em 2009 mostrou ao país um milionário esquema de corrupção do Distrito Federal, patrocinado pelo então governador José Arruda (DEM) e que foi desbaratado pela polícia federal. Arruda era cogitado para ser o vice de José Serra na chapa que disputaria as eleições presidenciais daquele ano. Ele acabou sendo trocado. Foi julgado e condenado a 5 anos e 4 meses, em regime semi aberto, por dispensa de licitação de uma obra. Arruda aguarda recurso em liberdade.

Mais recentemente temos o escândalo do Tremsalão Paulista, com um desvio de recursos públicos  superior a R$ 500 milhões onde estão envolvidos os tucanos Geraldo Alckmin, José Serra, entre outros. Um dos procuradores do MP de São Paulo, "arquivou numa pasta errada" um pedido de investigação da justiça Suiça sobre o caso, numa clara medida de acobertar os envolvidos. A maior parte da mídia silenciou frente a esse escândalo.

Há outros políticos condenados e que não cumprem pena. Desde 1988 até a última semana. O STF havia condenado seis deputados federais Para dois deles – o ex-deputado Cássio Taniguchi (DEM-PR) e o deputado Abelardo Camarinha (PSB-SP) –, as penas prescreveram. O ex-deputado do DEM foi sentenciado a seis meses de prisão por desvio de dinheiro de público. Já o deputado do PSB, que até pouco tempo atrás era um dos recordistas de processos no STF, a seis meses de prisão. O ex-deputado José Fuscaldi Cesílio, o Tatico (PTB/GO) ele recebeu pena de prisão de 7 anos, em regime semi aberto e aguarda o julgamento de seus embargos. O primeiro deputado federal condenado pelo STF foi Ze Gerardo (PMDB/CE) ele recebeu uma pena de 2 anos que foi convertida em multa e prestação de serviços a comunidade. Nas eleições de 2012 ele voltou a ditar as "regras" da eleição em sua cidade natal, Caucaia.

Em casos mais locais temos a Máfia do Detran/RS, que desviou mais de 40 milhões dos cofres públicos e até agora ninguém foi responsabilizado. Em termos bem locais tivemos, no ano passado, o uso de computadores da prefeitura em prol da campanha do atual prefeito Alceu Barbosa Velho. O uso dos equipamentos foi provado mas nada acontecerá pois prescreveu o prazo para denúncia.

Tudo isso demonstra que há um longo caminho para se celebrar uma mudança drástica na política brasileira e ela não será feita pelo STF, nem por uma salvador da pátria, tudo dependerá das pessoas lembrarem em que elas votam e participar, ativamente, da vida política do país.



12 comentários:

  1. Um erro não justifica o outro, se os políticos precisam se vender para conseguir um cargo, paciência, já diria o sábio: quem anda com porcos farelo come.
    A prisão dos "mensaleiros" não irá mudar em nada a política nacional? Óbvio que não. A prisão dos envolvidos com o Tremsalão, se vier a ocorrer, mudará algo? Não. E por não mudar devem ficar impunes? Justificar um roubo com outro é ser igual ou até pior que os próprios ladrões.

    Já que a política inteira já esta envenenada, podre e corrompida, do que adianta "...lembrarem em que elas votam e participar, ativamente, da vida política do país", não adianta em nada. Se José Dirceu que participou das lutas democráticas na época da ditadura militar corromperam-se, imagina o quão fácil é corromper o Jó Arce e o Neri o carteiro.
    Sinceramente, sei que o conteúdo aqui publicado é independente e produzido por diversas pessoas, mas as vezes não da nem vontade de entrar no polenta news.

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    1. Nosso artigo trata de desmistificar a ideia de que agora chegamos ao fim da "impunidade". Isso não é verdade! O julgamento da AP 470, "o mensalão", foi um show midiático que nada teve a ver com justiça. Esse é o foco que queríamos dar.

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    2. Pq citar Neri o carteiro? Pq ele é pobre, pois saiba q as maiores falcatruas deste país são obras da burguesia, um trabalhador q vive do seu próprio esforço q é o caso do Neri, q provavelmente vc não conhece, não está aí p/ ser corrompido.

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    3. Querida Eliz Selau. Em que momento deixo explícito ou deixo a entender que citou o Neri o carteiro por ele ser pobre? Coisa que sinceramente, com seu salário de agora, duvido que seja. Em nenhum momento quis chamá-lo de pobre ou qualquer outra coisa. Fiz apenas a comparação, onde peguei Zé Dirceu que é conhecido por suas lutas democráticas e peguei Neri o carteiro, que foi eleito vereador a pouco tempo.
      Não conheço ambos os vereadores, mas acredito que seja cabo eleitoral dele, ou tenha algum interesse, já que defendeu ele e deixou Jó Arce ao léu.

      Att.

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  2. Concordo plenamente com o comentário anterior. Acho que o Polenta News presta um grande serviço ao se colocar como imprensa B, principalmente em Caxias, onde não há, atualmente, um contraponto, ao que é divulgado na grande mídia. Mas quando tenta justificar o injustificável ou deixa a paixão partidária tomar conta da razão, perde o senso de ridículo. Nem leio essas matérias.
    Continuem divulgando, denunciando, revelando o que não é mostrado na grande imprensa, mas por favor, não sejam militantes políticos. É nojento!

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    1. Não temos medo de "verdades inconvenientes". Nós somos políticos sim, pois a política está em todos nós. Como comentamos acima o julgamento da AP 470, "o mensalão", foi um show midiático que nada teve a ver com justiça. Esse é o foco que queríamos dar.

      Estamos abertos para ampliar o debate.

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  3. Rapaz...ele sao militantes do PT, vcs nao sabiam? Sra Juliana e Sr Alexandre

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  4. Pq bloqueiam quem não concorda com vcs??? Censura? Ditadura bolivariana? Vi os comentários antes....bela imprensa vcs são...né sra Bevilaqua...

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    1. Julian não sei se você é o mesmo usuário que banimos por trollagem no Facebook. Se foi, foi por esse motivo. Democracia não é só quando a sua versão é aceita. Inclusive do usuário que bloqueamos fizemos uma impressão de tela que era uma legítima apologia ao crime.

      Esse espaço aqui também não foi feito para caça as bruxas como você está querendo fazer. Não sei se a Sra. Bevilaqua que você ser refere é a jornalista da Gaúcha Serra. Se for lamentámos que ela não seja nossa colaboradora e lamentamos que você, num senso de extrema irresponsabilidade movido pelo sentimento de ódio esteja querendo comprometer uma carreira jornalística.

      Revanchismo, isso sim é Censura.

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  5. Porque essa notícia comprometeria algum jornalista? A verdade jamais compromete ninguém, ou não é verdade? No caso a pessoa que me refiro jamais poderia ser nada além de um estagiário. Sabemos que as notícias de vocês tem sempre função de difamar os adversários e defender os petistas, até aí tudo bem, mas quando chamados para a discussão excluem os "criminosos", sim pois quem pensa é criminoso para vocês...Isso não é democracia...é chavismo.

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  6. O cara vai lá e mata uma criança. Ele vai preso. Mas nãooooooo, não prende o assassino. Prender o assassino não vai mudar o Brasil... (pelo menos esse assassino, dentro da prisão, não vai matar mais criança)... O pior é quem escreve nesse site se acha muito mais inteligente que a média da população... grande engano....

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    1. Só somos responsáveis pelo que escrevemos não pelo que as pessoas entendem. Lamentavelmente juízo de valores deturpados é o que mais existe por aí.

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