sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Quando a economia vale mais que a cidadania

Foto: Verusca Prestes
A apreensão dos produtos vendidos pelo índios no Centro da cidade, ontem, causa bastante revolta. A Prefeitura tomou a decisão de “acabar” com os vendedores ambulantes em plena época de Natal. Quando essas pessoas poderiam estar ganhando um dinheirinho extra.

A notícia do Pioneiro ontem anunciava: “Sindilojas comemora ação contra ambulantes no Centro de Caxias”. Assim, após notícias da imprensa sobre a ilegalidade do comércio ambulante, em pouco tempo a Prefeitura tomou uma atitude.

Uma atitude que acabou, certamente, com o Natal de muitas pessoas, que deixou muitas famílias sem o sustento do mês, que humilhou indígenas em meio à multidão de fim de ano que passa pela Júlio de Castilhos.

Diversos relatos de testemunhas dão conta de que a Polícia agiu de forma truculenta, inclusive dando choque em um índio. A fiscalização passou destruindo os produtos expostos, em um show de horror e humilhação.

Afinal, além da ilegalidade, que ameaça esses índios representam à população ou ao comércio caxiense? Seus produtos não competem com o comércio de rua.

A ação de fiscalização promovida pela Prefeitura pegou mal. Não se trata de defender a ilegalidade, mas pesar o que vale mais: o cumprimento inócuo de uma lei ou a cidadania de dezenas de índios?

O argumento do Pioneiro de que o Estado deve oferecer cursos profissionalizantes para essas pessoas, demonstra o desconhecimento da cultura indígena e da dificuldade que eles têm de se adequar ao capitalismo selvagem nos padrões que os outros acham que é o certo

Um comentário:

  1. Interessante esse primeiro parágrafo desse "projeto de texto/crônica/o que quer que seja". "A Prefeitura tomou a decisão de “acabar” com os vendedores ambulantes em plena época de Natal. Quando essas pessoas poderiam estar ganhando um dinheirinho extra".
    Descaminho, que eu saiba, é crime tanto quanto tráfico de drogas; ambos são tipificados pelo Código Penal. Posso até dizer que três crimes andam juntos, descaminho, contrabando e tráfico de drogas.
    Pois bem, seguindo esse pensamento chulo do primeiro parágrafo deveríamos liberar o tráfico de drogas no carnaval, visto que é quando mais se vende lança perfume. Ora, já que o ato de vender produtos sem o pagamento dos tributos, prejudicando enormemente os donos de loja, é apenas uma forma de ganhar um "dinheirinho extra", uma pessoa que trafica no carnaval de Salvador, ou onde quer que seja, esta apenas fazendo um "dinheirinho extra".
    E o último parágrafo é melhor ainda. Já passou da época em que índio chamava o homem da cidade grande de "homem branco". Tem índio vendendo na Av. Júlio que nunca andou descalço, que não conhece uma palavra do seu dialeto. Estes indios que estão na Av. Júlio são mais "homem branco" do que muito gringo que mora em Criuva que passeia pela mesma avenida. Arrisco dizer que o "gringo" ali da Linha 40 esta mais na margem da sociedade que os índios da Júlio.

    Amo esse blog de coração, mas dói os olhos e a alma ver o que já foi postado aqui...

    ResponderExcluir

Somos responsáveis, mesmo que indiretamente, pelo conteúdo dos comentários. Portanto textos que contenham ofensas, palavrões ou acusações (sem o fornecimento de provas) serão removidos. Se quiser falar algo que necessite de anonimato use o email polentanews@gmail.com