terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Vai ter Copa? Vai sim!

Palavra de ordem que começa a pipocar nas redes sociais"#nãovaitercopa" tenta surgir como um novo #giganteacordou. Mas será que essa chamada publicitária teria o peso suficiente para levar uma massa de manifestantes às ruas como aconteceu em junho?

A nossa resposta, preliminar, é que isso é muito difícil.

O primeiro grande motivo é que a Copa do Mundo já é um sucesso de público. Mais de 1 milhão de ingressos já foram vendidos. O número só não é maior porque não cabe mais gente nos estádios. Durante a solicitação de venda foram pedidos 4,5 milhões de ingressos sendo que 3,4 milhões eram para brasileiros. Esses números devem garantir estádios cheios durante as 63 partidas nas 12 cidades sede. Quem pagou pelos ingressos vai querer assistir os jogos, como aconteceu na Copa das Confederações. Apesar de haver um ou dois cartazes, dentro dos estádios com palavras de ordem, procurados efusivamente pelas câmeras de TV, a grande maioria estava alheia aos acontecimentos do lado de fora.

O segundo grande motivo é que não há, pelo menos por enquanto, os elementos que agregaram as manifestações de junho. Os reajustes das passagens de ônibus foram o estopim dos protestos. Apesar de serem organizados horizontalmente um núcleo principal, como o Movimento Passe Livre (MPL), em São Paulo, mantinha uma atividade constante fora da rede. A longa duração dos protestos e a violência sem sentido patrocinada por mascarados apelidados de "black block" retirou boa parte do apoio popular das manifestações.

Exemplo disso foi a fracassada greve geral de 1º de julho. Retirando o "terror midiático" que acabou paralisando os serviços nas grandes cidades, não se viu nenhuma manifestação de peso nesse dia. E dali para frente o número de pessoas que se juntam ao movimento caiu vertiginosamente, ou melhor, voltou ao patamar pré-junho. Chamado para 25 de janeiro, um manifesto nacional do Não Vai Ter Copa, conseguiu até agora 14 mil confirmados, entre os quase 400 mil convidados. Esse número é baixo, muito baixo e esse protesto só tem chance de ter alguma repercursão em Porto Alegre pois acontece junto com o Fórum Social Mundial Temático.

Obviamente as manifestações ganharão repercussão na mídia mesmo que sejam um número reduzido de pessoas. Em Caxias do Sul, no 7 de setembro, um grupo de 20 pessoas ganhou matéria em jornal, mesmo que ele não tivesse capacidade de convencer ninguém na cidade.

Mesmo assim o mês da Copa do Mundo não será tranquilo. Há o risco muito grande de confronto. Além dos jogos haverá a instalação de grandes telões para que o público acompanhe as partidas além de shows de artistas locais e nacionais. Se houver algum protesto nesses locais é bem possível que a população que está participando do evento tente acabar com o protesto com as próprias mãos. Aí veremos mascarados tentando buscar refúgio junto aos policiais. Porto Alegre quase vivenciou essa situação. Os moradores do bairro Cidade Baixa, um dos roteiros constantes dos protestos, começaram a formar uma milícia para evitar o quebra quebra que acontecia todas as noites. A milícia só não se concretizou pois a Brigada Militar aumentou enormemente o policiamento no bairro e os manifestantes mudaram de trajeto.

Isso tudo não quer dizer que o governo federal, e os estaduais, passarão imunes por todo esse processo. Reações violentas como as que aconteceram em junho em São Paulo, podem colocar gasolina numa situação que pode ser explosiva. A oposição também sabe que esse é o único fator que pode desestabilizar o governo Dilma. O PSDB torce para que as manifestações sejam maiores que esse ano, mas o partido sabe que é o que menos ganha com esse clima de instabilidade. Dialogando com um setor mais conservador, que tem ojeriza à manifestações, os tucanos vão olhar, como fizeram esse ano, de longe. Colocando suas pautas conservadoras quando possível, e infiltrando militantes de direita nas organizações "horizontais".

Quem ganha mais é a "terceira via", tanto que Marina Silva (Rede/PSB) já declarou que espera que os protestos em junho sejam maiores. Na verdade é a única esperança de Eduardo Campos e Marina Silva. Se houver um grande movimento de massas, de contestação, onde os movimentos sociais não sejam protagonistas, isso gerará um apoio as suas candidaturas e eles não serão meramente coadjuvantes.

No final disso tudo, depois de 1 mês a Copa acabará e se discutirá o legado dela. A maioria dos estádios que foram construídos não usaram recursos públicos. As obras de mobilidade, atrasadas é bem verdade, ficarão prontas dependendo da competência dos prefeitos e beneficiarão a população. As cidades que se aproveitaram dos Regime Diferenciado de Contratação para a Copa terão infraestrutura melhor. As outras que resolveram fazer jogo político, não terão estruturas melhores e continuarão fazendo jogo político. No final, após a Copa o jogo continua.

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