quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O estranho caso da deserção da médica cubana

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
Se for verdade dá um roteiro de filme. Mas como a notícia parte do DEM e a personagem é ciceroneada pelo deputado Ronaldo Caiado (DEM/GO), que nas eleições de 1989 dizia que ele era o salvador do país e faria isso montado de um cavalo branco, precisamos colocar a história em outra perspectiva.

A personagem é a médica Ramona Matos Rodríguez que estava no município de Pacajá/PA. Ela é uma das integrantes do programa Mais Médicos. Ramona diz ser médica há 21 anos. A profissional cubana já teria trabalhado em outra missão de cooperação com a Bolívia.

Com esse currículo é que a situação começa a ficar estranha. Ela teria "fugido" da cidade de Pacajá e ido de carro até a cidade de Marabá (um trajeto de 287 Km e quatro horas de viagem). Para essa empreitada ela teria tido ajuda de "amigos brasileiros, cubanos e outros estrangeiros", como relatou a médica. Depois um voo entre Marabá e Brasília que não encontrou nenhum contratempo já que ela tem passaporte. Chegando em Brasília ela se refugiou na bancada do DEM onde foi exibida, como troféu, em plenário pelo deputado Caiado.

Ramona contou que não sabia da remuneração diferenciada que os profissionais de Cuba tem. Ela recebe US$ 400 (R$ 1.000,00) aqui no Brasil, mais US$ 600 (R$ 1.500,00) depositados em sua conta de Cuba. Além disso a prefeitura repassa uma ajuda de custos de R$ 750,00 além da casa que é mantida pela prefeitura local.

Deixando de lado as críticas que possam haver sobre o programa não dá para acreditar que Ramona não soubesse o que estava acontecendo. Se realmente ela participou de uma missão na Bolívia, provavelmente o regime de remuneração foi igual, ou até mais baixo. Ramona também alega que era vigiada, "por agentes cubanos". Com o grau de facilidade com que ela pegou um carro, um avião e chegou em Brasília, seus vigilantes deveriam ser muito ruins.

O DEM, Sindicato Médico e Conselhos de Medicina, tem feito todo o tipo de terrorismo para desestabilizar o programa Mais Médicos. De todos os profissionais trabalhando aqui somente um caso, depois de quase seis meses, apareceu. A debandada geral de cubanos, alardeada pela oposição, não aconteceu.

Esse fato tem forte suspeita de armação. Não deve ser retirado do espectro de especulação que houve um oferecimento de dinheiro, benefícios, privilegio ou outras vantagens à Ramona para ele entrar nessa empreitada. Uma situação muito semelhante aconteceu nos jogos Panamericanos onde dois pugilistas cubanos pediram asilo pois teriam recebido propostas salariais imensas de um agente esportivo alemão (leia aqui). Ao constatarem que as propostas não eram sólidas os dois pugilistas resolveram voltar para Cuba.

Ramona vai pedir asilo no Brasil. O Conselho Federal de Medicina elogiou sua atitude. O DEM também. Se for concedido asilo ela saíra do programa Mais Médicos e, segundo as normas do próprio conselho de medicina não pode trabalhar no Brasil. Com o tempo saberemos a verdadeira história por trás desse caso.

2 comentários:

  1. Desde quando o PT concorda com trabalhadores que, realizando o mesmo serviço, recebam de forma diferenciada?Nada como um dia depois do outro...

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    1. As relações sociais são diferentes em Cuba e no mundo capitalista. Lá é valorizado o ser ao invés do ter. É por isso que todo dia milhões de crianças passam fome no mundo, nenhuma em Cuba. O restante da analogia é desprovida de lógica.

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