quarta-feira, 18 de junho de 2014

Protestos de junho/2013 não se repetiram, nem se repetirão tão cedo

População auxilia a reposição container virado por mascarados
(Foto: Paulo Dias/JC)
Eles eram a esperança da oposição, Marina Silva (PSB) chegou a tentar convocá-los. Eram também a grande incógnita no cenário da situação. Foram na verdade a grande "decepção" dessa copa (além da falta de educação da elite brasileira no estádio). Os massivos protestos de rua, que tomaram as cidades em junho do ano passado não se repetiram. Tentativas houveram, mas a quantidade de pessoas reunidas foi tão pequena que geralmente o número de policiais era de 10 para um.

Apesar do que sempre foi dito, os protestos de junho de 2013, tinha uma pauta: o reajuste das passagens do transporte coletivo. Porém sua organização permitia que outras pautas estivessem presentes. Foi nesse espaço que todo o tipo de movimento, legítimo ou não, entrou.

Condenados pela mídia um dia, celebrados no dia seguinte, as manifestações ganharam corpo. Porém a violência patrocinada pelos "sem partido" fez com que a grande maioria das pessoas se afastassem. A tática Black Bloc, que antes era usada para proteção dos manifestantes, foi desvirtuada e descambou para o vandalismo despropositado. Isso afastou cada vez mais pessoas.

Como o #NãovaiterCopa se esvaziou pelo simples fato que a Copa está acontecendo as cisões dentro dos organizadores dos atos foram aumentando.

No Rio Grande do Sul o caso do Bloco de Lutas é um exemplo desse momento. Quando o movimento tinha como horizonte a passagem de ônibus ele organizava vários setores sociais, inclusive partidos (PT, PSOL, PSTU, PCO, PCB, PCdoB), além dos movimentos anarquistas. Todos estabeleciam pautas unitárias e método de ação em comum.

Quando os protestos começaram a ganhar tamanho setores acharam que poderiam controlar o movimento e promoveram a "expulsão" do PT e PCdoB por serem considerados "governistas". Nesse momento o Bloco de Lutas vira correia de transmissão para tentar dar volume a greve, esvaziada, do CPERS, e para piquete na greve dos rodoviários de Porto Alegre.

A quebradeira que era provocada, em cada protesto, pelos mascarados (não vamos chama-los de Black Bloc porque eles não o são), foi gerando cada vez mais revolta da população. Como o governo do estado não optou em colocar a Brigada Militar em confronto direto com os manifestantes, o discurso de que a quebradeira era revide da ação truculenta da polícia acabou virando esquizofrênica. No Rio Grande do Sul isso não era verdade. A foto que ilustra essa matéria mostra populares ajudando a reposicionar um container de lixo virado por mascarados no dia da abertura da Copa do Mundo. Esse foi o início do fim. Ninguém mais apoia os atos.

No último domingo num ato marcado no Parque da Redenção, o grupo que já era pequeno, 50 pessoas, dividiu-se mais ainda. Uma parte, com 20 pessoas, resolveu ir até a Fan Fest que reunia mais de 10 mil pessoas no Anfiteatro Por do Sol. Por sorte desses 20, que poderiam apanhar dos outros, a Brigada Militar bloqueou os acessos e eles não conseguiram chegar. Resolveram jogar uma partida de futebol (futebol 7 por falta de gente) no meio da rua.

Hoje o golpe fatal. O PSTU e o PSOL, que garantiam a maior parte dos participantes, resolveram não participar do ato chamado para hoje, justamente por discordarem da tática que acobertava as ações dos mascarados.

Movimentos em rede, como esses, não conseguem sobreviver permanentemente "na rua". Por característica eles tem que voltar a internet, analisar sua atuação e voltar novamente a rua. Como não o fizeram definharam. Os protestos de milhares de pessoas não acontecerão em 2014, 2015, 2016. Só voltarão, se voltarem, quando uma "nova geração" surgir das redes.

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