Já se passaram 600 dias e o Marrecas continua sem utilidade

Da inauguração até hoje já passaram 600 dias! E até hoje nenhuma gota de água, vinda do Marrecas chegou as torneiras dos caxienses. Por ironia a vazão da barragem se dá pelo lado errado por conta dos inúmeros vazamentos que a represa tem.

Construída na correria para ser usada na campanha eleitoral as falhas do projeto são cada dia mais evidentes. Os vazamentos já foram periciados e uma empresa será contratada para resolvê-los. As bombas que levariam a água até a estação de tratamento não suportam a pressão extra que é gerada pelo aumento da coluna de água, definida depois do projeto pronto. Novas bombas, que suportam pressões maiores, terão que ser adquiridas.

Mesmo chegando na estação de tratamento e sendo distribuída a água do Marrecas chegaria a menos de 10% dos caxienses. Para usar a capacidade total ainda será necessário um investimento de R$ 25 milhões, que será feito via PAC, do governo federal e irá levar água para a Zona Norte de Caxias.

Para a sorte dos caxienses o governo Sartori (PMDB) fez apenas terrorismo midiático para que a obra pudesse ser utilizada durante a campanha municipal. Sartori e seu presidente do Samae, o Caberlon, diziam que Caxias teria racionamento de água, em 2013 se o Marrecas não ficasse pronto. Passou 2013 e 2014 e nem sinal de racionamento. Virá 2015 e 2016 e também não haverá racionamento. O que transforma a história contada por Sartori uma das maiores mentiras já ditas em Caxias do Sul.

Se o Marrecas não distribuiu água, na outra ponta o Samae perde metade da água tratada. O índice que já chegou a ser de 55% está agora em 50%, a média brasileira é de 40% e o máximo aceitável internacionalmente é de 30%. Para o Samae a maior parte do desperdício é por roubo de água e problemas com os hidrômetros é a justificativa para tamanho desperdício.

O Samae estima que 50 mil, das 125 mil ligações de água está com problemas e realiza 1.500 trocas de hidrômetros por mês. Isso faz com que pagava valores baixíssimos passa a pagar o valor correto. Essa atitude parece ser nova, mas...

Há mais de 10 anos atrás o ex diretor presidente do Samae, Maeth Boff, iniciou um programa para substituição de todos os hidrômetros defeituosos de Caxias do Sul. A reação foi violenta. A oposição ao governo Pepe Vargas (PT), na época, do PMDB, conseguiu até fazer uma CPI sobre o caso. Se não houvesse a politização do programa, Caxias poderiam ter elevado a vida útil do seus sistema de barragens em mais de 15 anos e não teria gastado R$ 400 milhões na construção de uma represa que há 600 dias ainda não distribuiu nenhuma gota de água.

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