terça-feira, 30 de setembro de 2014

Por que a imprensa "esquece" dos partidos em algumas denúncias de políticos?

Essa pergunta sempre ronda quem lê as páginas de política, as vezes as páginas policiais também. Por que motivo, em alguns casos, as notícias omitem o partido dos envolvidos?

A resposta é única e clara. Em alguns momentos é interessante que não se ressalte o partido dos envolvidos, principalmente, quando eles são mais próximos aos interesses dos veículos de comunicação. Em qualquer manual de redação a padronização do modo que se dá uma notícia é básico. Mas, há sempre exceções para os mais próximos do poder ou dos interesses do veículo.

No dia de ontem, 29, dois exemplos deixam essa situação bem evidente. Um deles é nacional e outro é regional.

Começamos por aqui.

O ex-prefeito de Bento Gonçalves, Fortunato Janir Rizzardo, foi preso pela Polícia Federal depois de pelo menos 2 anos foragido. Ele foi condenado por desviar R$ 7 milhões (em valores atuais) que foram destinados, pelo governo federal, em 1989, para a construção de um hospital psiquiátrico. Ele deve cumprir 5 anos de prisão em regime semi-aberto.

Se qualquer leitor tentar "googlar" sobre Rizzardo não encontrará em nenhum lugar menção de que ele foi eleito prefeito de Bento Gonçalves, em 1988, pelo PDT. Também em nenhuma matéria, sobre o caso, aparece que ele concorreu a deputado federal, também pelo PDT em 2002, quando fez 30.295 votos ficando na suplência. Rizzardo continua filiado ao PDT como é possível de ser verificado, no site do TSE, na relação de filiados.

Por que a imprensa omitiu esse fato?

O exemplo nacional é mais escandaloso. Um cidadão perturbado, um criminoso, faz um trabalhador refém, por mais de 8 horas, em um hotel em Brasília. Em seu acesso de loucura ele pede a renúncia da presidenta da república para não explodir o hotel.

A maioria da imprensa noticia, quando notícia, que Jac Souza (o sequestrador), foi candidato a vereador em Combinado (TO). Essa grande maioria, também, omite o fato de que Jac foi candidato pelo PP e, inclusive, é membro do Diretório Estadual do partido em Tocantins, ou seja, ele até pode ser um "lunático", mas é um lunático com algum prestígio no PP.

Mas uma coisa a mídia noticiou logo no início. Um detalhe que, inclusive, não tinha nenhuma relevância com o caso. O hotel onde foi feito o refém, o Saint Peter, foi o hotel que contratou José Dirceu. Nenhuma relevância com o que estava acontecendo, mas nesse caso interessava à grande mídia.

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