terça-feira, 7 de outubro de 2014

Por que as pesquisas erram tanto?

Toda a eleição é a mesma história. Em algum momento as pesquisas vão errar. Todo mundo irá falar que elas sempre erram e haverá notícias sobre isso nos jornais. Os jornais, as rádios e as emissoras de TV dirão que não dão destaque as pesquisas apenas as divulgam, mesmo que eles gastem milhões encomendando-as aos institutos.

Mas afinal, por que as pesquisas erram tanto?

Primeiro só sabemos se a última pesquisa errou ou acertou, pois é a única que pode ser comparada com o resultado da urna. Segundo que a pesquisa é feita por pesquisadores humanos, suscetíveis a falhas. Terceiro, sempre há o componente da manipulação, seja por quem faz, seja por quem contrata.

Três exemplos nesse ano são bastante sintomáticos desses erros.

Em São Paulo, Alexandre Padilha (PT) passou a maior parte da eleição com um índice perto de 8%. Uma semana antes ele subiu para 11% e na véspera das eleições ele continuava com 11% (14% os válidos). Quando as urnas foram abertas ele fez 18,22%. A pesquisa, nesse caso, errou de 1,2 milhões de votos. Fica claro um erro gritante pois é impossível fazer 1 milhão de votos em um único dia. Mostrar Padilha tão atrás em todos os levantamentos prejudicou a sua campanha?

Na Bahia há um exemplo semelhante. Rui Costa (PT) aparecia, uma semana antes da eleição com 27% dos votos. Na véspera ele tinha 36% (46% dos válidos), um crescimento de 900 mil votos. O resultado da urna foi de 54%, elegendo o petista no primeiro turno. Foi um crescimento de 1 milhão e 700 mil votos em apenas uma semana.  Se os eleitores se baseassem nas pesquisas o eleito teria sido Paulo Souto (DEM), que terminou a eleição com 37%, ou 800 mil votos perdidos em um único dia. Isso é possível?

No Rio Grande do Sul a candidata do PP, Ana Amélia Lemos, sempre foi a líder nas pesquisas até 15 dias antes, quando foi ultrapassada por Tarso Genro (PT). José Ivo Sartori (PMDB) vinha numa curva ascendente desde o começo da propaganda em rádio e TV. Na véspera da eleição Tarso tinha 36% dos votos; Ana Amélia e Sartori 29%. No resultado das urnas, Sartori fez 40,4%. Isso é 910 mil votos a mais que o apontado na pesquisa. Tarso ficou um pouco abaixo da margem de erro e Ana Amélia fez 700 mil votos a menos do que a amostragem. Como o Ibope errou tanto?

Esses três exemplos, e existem outros, demonstra um tipo de padrão. Há uma falha grave na metodologia do levantamento. A pesquisa deveria ser feita de modo aleatório. Isso nem sempre acontece. Para manter os perfis populacionais (idade, sexo, grau de instrução, renda), os pesquisadores acabam entrevistando as mesmas pessoas (até conhecidos seus), distorcendo resultados. As cidades entrevistadas que deveriam ser aleatórias acabam sendo as mesmas por conta até de economia. Isso sem falar no caso do entrevistador forçar que o entrevistado responda diminuindo o índice de indecisos.

Outro fator que também merece estudo é a forma como as pessoas passam a decidir seu voto. Cada vez mais as famílias, e os grupos familiares, discutem política, nem que seja na última semana. O peso dos jovens nessa decisão também aumentou já que, nos últimos anos, dobrou o número de estudantes nas universidades. A entrada 22 milhões de brasileiros na classe média também mudou o perfil de como essas pessoas obtêm informação, cada vez menos na TV e cada vez mais na internet. Isso desidrata o poder dos programas eleitorais e reforça as relações interpessoais.

Nada disso é medido nas pesquisas.

Quanto a manipulação pura e simples. Bom, isso todo mundo já sabe né?

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