sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Como alguém pode ser contra o reajuste do salário mínimo

Proposta foi discutida com Centrais Sindicais
O Rio Grande do Sul vive uma situação inusitada. Setores da mídia juntaram-se aos setores empresariais, com o apoio enrustido de alguns deputados, com o silêncio conivente do futuro governador e ainda com respaldo de trabalhadores (?!) contra o reajuste do salário mínimo regional.

Empresário ser contra reajuste de salário tudo bem, isso já é local comum. A elite financeira brasileira ainda não ultrapassou a Idade Média e acha que ainda é aristocrata e os empregados seus servos, que deveriam ficar agradecidos por terem emprego.

O que, nunca antes na história desse país, aconteceu foi o chororô da mídia fazendo coro a esse movimento. Em seu editorial de hoje o Grupo RBS assume a nítida defesa dos interesses dos empresários e chega a emparedar o legislativo gaúcho afirmando: "Resta esperar que os deputados tenham coragem e sabedoria para descascar esse abacaxi sem se deixar influenciar por interesses setoriais, tratando do assunto com responsabilidade, firmeza e justiça."

Responsabilidade, firmeza e justiça não são termos universais. Para o Governo Tarso, que concedeu um reajuste de 16% no salário mínimo regional isso é responsável, firme e justo. E o é. As categorias atingidas pelo mínimo regional são as que não tem representação para negociar salários por conta própria. São as categorias mais frágeis na relação entre o capital e o trabalho.

Representantes sindicais da indústria, comércio e serviços do RS acham que isso é interferência do governo na relação entre empregadores e empregados. E é! E se não fosse assim a balança penderia sempre para o lado com mais dinheiro. A instituição de um salário mínimo é exemplo do braço regular do governo nessa relação.

Mas a razão de tanto barulho nem é o índice de reajuste e nem o desemprego que os patrões e a RBS dizem que acontecerá. É justamente o contrário. Estamos com um dos menores índices de desemprego da história. Isso faz com que não exista filas de desempregados topando trabalhar por qualquer salário. Manter um profissional qualificado está cada vez mais difícil. Cada vez é mais comum o padrão de renda do empregador e do empregado (se bem qualificado) ficarem muitos próximos. Isso causa medo a elite financeira, que ainda está na Idade Média no Brasil.

Outra razão é que querem salvar a pele do futuro governador, e de quebra, ditar as regras do futuro governo. O futuro vice governador, José Paulo Cairolli (PSD) é contra o mínimo regional. Não é só contra o aumento. Para ele o mínimo nem deveria existir. Isso foi abordado durante a campanha eleitoral e o, então candidato, Sartori (PMDB) se esquivava do assunto dizendo que quem decidia era ele. Bom chegou a decisão e Sartori, para variar, está em silêncio.

Como na política não existe vácuo, alguém está ocupando o espaço. Na ausência de atitude do futuro governador outros atores entram na discussão. Essa é uma prévia do que será o governo Sartori.

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