sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Câmara de Vereadores aprova moção de repúdio as declarações de Bolsonaro

Uma moção de repúdio a manifestações do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) consideradas preconceituosas, racistas e de caráter homofóbico foi aprovada pelos vereadores caxienses, na sessão ordinária desta quinta-feira (11/12). Assinado pelos parlamentares Jaison Barbosa/PDT, Denise Pessôa/PT e Virgili Costa/PDT, o texto (moção 45/2014) repercutiu em plenário e recebeu o voto da maioria dos parlamentares (12 x 6).

No texto, os autores justificam o motivo de protocolarem a moção apresentando diversas considerações. Entre as quais, o fato de "as afirmações preconceituosas, racistas e de caráter homofóbico de parte do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) serem recorrentes".

A moção observa que as últimas manifestações ocorreram contra a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), que tratava sobre a Comissão da Verdade e os crimes cometidos durante a ditadura e em razão da passagem do Dia Internacional dos Direitos Humanos. O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) teria reagido, nesta semana, dizendo que ele só não estupra a parlamentar porque ela "não merece". Ele repetiu ofensa dirigida à mesma deputada em 2003, quando os dois discutiram em um corredor da Câmara. Em seu discurso, Maria do Rosário, que foi ministra da Secretaria de Direitos Humanos, chamou a ditadura militar no Brasil (1964-1985) de "vergonha absoluta".

Na moção, os autores também ressaltam o histórico de ofensas do referido deputado contra a comunidade LGTB, pontuando, ainda, que o discurso de Bolsonaro agrediria mulheres diariamente e que as expressões utilizadas pelo parlamentar promoveriam a violência, ofendendo a cidadania e demonstrando simpatia a ditaduras. Outra observação dos autores recorda que o estupro foi uma forma recorrente de tortura utilizada contra as prisioneiras durante a ditadura militar.

Além dos próprios autores, se mostraram favoráveis à moção os parlamentares Arlindo Bandeira/PP, Edson da Rosa/PMDB, Felipe Gremelmaier/PMDB, Henrique da Silva/PCdoB, Kiko Girardi/PT, Rafael Bueno/PCdoB, Raimundo Bampi/PSB e Rodrigo Beltrão/PT.

Bueno apresentou números de estupros no Brasil. Nos últimos tempos, o total de mulheres vítimas desse crime, conforme o parlamentar, girou em torno de 50 mil/ano. No entendimento do vereador comunista, o deputado Bolsonaro fala muitas bobagens e presta um desserviço à população. Henrique Silva/PCdoB sugeriu que quem considera Bolsonaro certo deveria mandar flores ao deputado. No entendimento de Beltrão, quem votar contra a moção estará concordando com os posicionamentos de Bolsonaro. Gremelmaier e Bampi defenderam a moção, no entanto, acreditam que tanto Bolsonaro quanto Maria do Rosário não agiram adequadamente.

Na opinião do vereador Edson da Rosa/PMDB, a moção poderá fazer Bolsonaro repensar seus posicionamentos e palavras. "Como políticos, somos sim formadores de opinião", atentou o peemedebista.

Um dos autores da moção, Jaison Barbosa/PDT também alertou para a necessidade de saber o que falar nos espaços públicos, tendo em vista o respeito à democracia, considerada preciosa pelo pedetista. Conforme Jaison, o propósito da moção é despertar a reflexão. Também autora do texto, a vereadora Denise Pessôa/PT mostrou-se indignada com o fato de a Câmara Federal não se manifestar em contrariedade às posturas de Bolsonaro. "O lamentável é que a Comissão de Ética não faz nada. A maioria compõe um Parlamento machista que passa mão em falas como as de Bolsonaro. Cada vez que se tolera, vêm falas piores. Conviver com isso não é humano. Não podemos tolerar uma fala dessas de que uma deputada merece ou não ser estuprada. Ele é um representante público, eleito pela população e esse tipo de fala não colabora para paz no Brasil e viola a Declaração Universal dos Direitos Humanos", acusou Denise.

Outro autor da moção, o parlamentar Virgili Costa/PDT classifica como assustador o debate de hoje no Legislativo caxiense a respeito das posições de Bolsonaro. O pedetista considera o deputado um louco. "Estão tentando argumentar na defesa de um louco. Como defender um louco? Eu temo quando assisto a isso. Eu temo por um país com um deputado assim. Ele teve coragem de dizer que a tortura eficaz é uma arte. Poupe-nos disso", pediu Virgili Costa.

A proposição teve manifestação contrária do vereador Flávio Dias (PTB) que chegou a dizer ""Ele fala a verdade, doa a quem doer". Outro vereador que se posicionou contrário foi Guila Sebben (PP). O progressista informou que as discussões entre Bolsonaro e Maria do Rosário vêm de anos, desde um debate sobre a redução da maioridade penal. O que dá para entender da fala do vereador é que parece que são duas crianças, do ensino fundamental, que ficam se "inticando". Lamentável.

Veja abaixo como foi a votação de cada vereador:

ARLINDO BANDEIRA (PP) Sim

CLAIR DE LIMA GIRARDI (PT) Sim

DANIEL ANTONIO GUERRA (PRB) Não

DENISE DA SILVA PESSÔA (PT) Sim

EDI CARLOS PEREIRA DE SOUZA (PSB) Sim

EDSON DA ROSA (PMDB) Sim

FELIPE GREMELMAIER (PMDB) Sim

FLÁVIO GUIDO CASSINA (PTB) Não Votou

FLÁVIO SOARES DIAS (PTB) Não

GUILHERME GUILA SEBBEN (PP) Não

GUSTAVO LUIS TOIGO (PDT) Presidente

HENRIQUE SILVA (PCdoB) Sim

JAISON BARBOSA (PDT) Sim

JOÃO CARLOS VIRGILI COSTA (PDT) Sim

MAURO PEREIRA (PMDB) Não

NERI ANDRADE PEREIRA JUNIOR (SD) Não

PEDRO JUSTINO INCERTI (PDT) Não Votou

RAFAEL BUENO (PCdoB) Sim

RAIMUNDO BAMPI (PSB) Sim

RENATO DE OLIVEIRA NUNES (PRB) Não

RODRIGO MOREIRA BELTRÃO (PT) Sim

WASHINGTON STECANELA CERQUEIRA (PDT) Ausente

ZORAIDO DA SILVA (PTB) Não Votou

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