quinta-feira, 30 de abril de 2015

Curitiba vive guerra contra confisco de Richa

Curitiba foi palco de um dia de confronto entre servidores e policiais no Centro Cívico. Como no dia anterior, o Batalhão de Choque jogou bombas de efeito moral e gás lacrimogênio, além de balas de borracha, contra os manifestantes. Sob o comando do secretário de Segurança do Estado, Fernando Francischini (SDD), a Polícia Militar utilizou até mesmo helicópteros para atacar os servidores. Professores feridos procuraram refúgio na Prefeitura, que já atende mais de 100 feridos. Estima-se que 20 estejam em estado grave. "Parece uma praça de guerra", publicou no Twitter o prefeito Gustavo Fruet (PDT).

O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), promove uma ação "truculenta", "absurda" e "ultrapassada" ao enviar policiais militares para cercar a Assembleia Legislativa a fim de impedir que servidores públicos estaduais acompanhem a votação de um conjunto de medidas que tem como objetivo resolver problemas financeiros do Estado e põe em risco benefícios do funcionalismo. Esta foi a opinião manifestada pelo presidente do PT do Paraná, deputado federal Enio Verri, em entrevista ao Brasil 247.

"É uma atitude truculenta e absurda, ultrapassada, parece o Brasil do século 19", declarou Enio Verri. "Na verdade são trabalhadores organizados fazendo uma mobilização não para conquistar direitos, mas para não perdê-los. Eles (governo) não têm diálogo nenhum com o setor público e ainda por cima mandam colocar a polícia", acrescentou o deputado federal. Os professores estão em greve desde sábado 25 contra as medidas, que alteram principalmente a fonte de pagamento para o Fundo Previdenciário ParanaPrevidência.

A votação em segundo turno do chamado 'pacotaço' de Richa começou no início da tarde desta quarta-feira. Os deputados chegaram a interrompê-la em decorrência do conflito fora da Casa, mas durou pouco. O líder do governo, deputado Romanelli, sugeriu que parlamentares tentassem conversar com os manifestantes. No entanto, o presidente da Assembleia, Ademar Traiano (PSDB), afirmou que a sessão continuaria. "Nós estamos aqui em uma sessão normal. Fora da Assembleia é questão da Secretaria de Segurança Pública", disse.

Para Enio Verri, este "sem dúvida" é o momento "mais grave" da gestão de Richa, que conforme lembrou o petista, já provocou diversos outros problemas, como a falência do Estado. "Como ele tem maioria na Assembleia, ele manda para lá [o projeto] e os deputados se submetem a uma coisa tão prejudicial para o Estado", comentou.

No final da tarde a proposta foi aprovada por 31 a 20 votos. O confronto lembra um episódio ocorrido na gestão do hoje senador Álvaro Dias (PSDB), que soltou a cavalaria contra os professores em 1988 quando era governador do Paraná.

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