sábado, 11 de abril de 2015

É fácil desconstruir o discurso de direita do Movimento Brasil Livre


O Movimento Brasil Livre (MBL) quer ser o representante ponderado dos que foram às ruas no dia 15 de março e irão, ou não, no dia 12 de abril. Para tanto elaboraram um conjunto de propostas, 10 ao todo, que serve para demonstrar duas coisas: que eles tem um projeto mais sólido do que o simples "Fora Dilma" e para se diferenciar da turma do Revoltados On Line, e outros, que não estão habituados a utilizar garfo e faca.

Quando você faz uma pauta de reivindicações, obrigatoriamente, você escancara sua ideologia e seu pensamento. O MBL não é diferente. Fizemos um trabalho de desconstrução da pauta oficial do movimento. Com isso fica claro que na verdade não há recheio nenhum debaixo dessa cobertura.

Vamos a pauta:

1 - Impeachment: O MBL acha que o impeachment da presidenta Dilma é o começo da reforma política. Já no item 1 percebe-se que não há nenhum conteúdo de relevância já que 10 entre 10 juristas sérios afirmam que a tese do impeachment não avança sem provas. Se for diferente é golpe. Limitar a reforma política ao impeachment é de uma ingenuidade que pode ser até criminosa.

2 - Redução do número de ministérios pela metade - Chamada de "exemplo de austeridade" essa tese não passa de discurso do senso comum. Os problemas fiscais do país, se é que eles existem, não são criados pelo número de ministérios. Outra coisa que ninguém diz e quais devem ser extintos. Considerando o grupo podemos ter certeza que são os ministérios que dialogam com políticas sociais para os mais pobres. Outro exemplo desmonta essa tese. O secretariado de Sartori (PMDB) - com menos secretários - ficou mais caro que o de Tarso (PT), isso porque Sartori assinou um gordo reajuste salarial aos secretários.

3 - Fim da fraude orçamentária: Eles afirmam que a Lei de Responsabilidade Fiscal não é seguida no Brasil. Balela. Ela é seguida até de mais. E por isso é que programas sociais em estados, municípios e até no governo federal tem interrupções. Responsabilidade Fiscal e crescimento econômico são duas coisas diferentes. Durante o governo FHC existia Lei de Responsabilidade Fiscal, ela era seguida e o país não crescia.

4 - Saída de Dias Tofoli do colegiado julgador da Lava-Jato: Aqui a ignorância começa a ficar parecendo falta de ética. Dias Tofoli entrou no colegiado julgador da Lava Jato por sugestão de Gilmar Mendes (que não pode ser chamado de petista). De qualquer maneira ele é um de 11 ministros do STF, um dos poderes da República. Ele é alvo de críticas porque seus julgamentos não contentam os financiadores do MBL, então é mais fácil eliminar quem pensa diferente.

5 - CPI do Programa Mais Médicos: Aqui demonstra o corte de classe. A elite branca é contra a ida de médicos para atender a população mais carente do país. É isso que o Mais Médicos faz, o resto é bobagem.

6 - CPI do BNDES: Mais um corte de classe. Nesse caso dentro da própria classe. Os "indignados" não gostaram da ideia de que o BNDES, banco de fomento da produção fizesse justamente o que está no seu papel, financiasse a produção. Nos tempos de FHC o BNDES financiou as privatizações. O país ficou sem as empresas estatais, sem o dinheiro, sem a solução de problemas e vivemos uma década perdida.

7 - Ajuste fiscal sem aumento de impostos: Mau informados o MBL talvez não saiba que não houve aumento de impostos esse ano.

8 - Repúdio ao Foro de São Paulo - Quando você diz que um grupo não pode se reunir você abriu as portas da ditadura. A turma do MBL quer a ditadura. Só vai valer o seu discurso. Extinguir o direito de reunião, mesmo que sendo de um espaço que só tem relevância para a Veja, é um caso claro de censura.

9 - Concessão de asilo político a Leopoldo Lopes: Essa proposta é risível. O senhor Leopoldo Lopes não é um perseguido político pelo governo venezuelano. Se fosse ele poderia pedir asilo para quase qualquer país na América Latina e seria aceito. Poderia pedir asilo nos Estados Unidos e seria aceito. Não o faz, porque ele não é perseguido político ele é um incentivador de atos de violência na Venezuela.

10 - Fim das verbas de publicidade estatal - Quase uma proposta saída do PSOL, só que não. O que querem os "indignados" é fazer com que só uma verdade exista, a da Globo, Veja, Folha, etc. A democratização da comunicação prevê que mais pessoas possam falar, eles defendem que só uma parte das pessoas possam falar, os donos de jornais, tv e rádio.

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