quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Grupos pró-governo vão às ruas para fazer frente a atos pelo impeachment


Fonte: BBC Brasil

Em São Paulo, manifestantes ligados ao MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), à CUT (Central Única dos Trabalhadores) e a partidos como o PT e o PCdoB ocuparam a avenida Paulista, mesmo local onde os grupos que querem o afastamento da petista protestaram no último domingo, e saíram em caminhada até a praça da República, no centro.

Segundo o Datafolha, a manifestação teve 55 mil participantes. O ato contra Dilma, o primeiro realizado desde que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), colocou em tramitação o processo de impeachment contra a presidente, reuniu 40,3 mil pessoas, de acordo com o mesmo instituto de pesquisas.

A exemplo dos protestos pedindo a saída da presidente, os manifestantes que defendem a permanência de Dilma também protestaram em outras cidades do país, como Brasília, Vitória, Salvador, Florianópolis e Recife.

Embora tenham objetivos principais opostos – o afastamento ou não de Dilma –, os grupos que foram às ruas no domingo e nesta quarta possuem ao menos um interesse em comum: a saída de Cunha da presidência da Câmara. Ele é investigado sob a suspeita de envolvimento no escândalo de corrupção na Petrobras.

Na terça, o Conselho de Ética da Casa determinou o prosseguimento ao processo que pode culminar na cassação do mandato do deputado, após oito sessões em que seus aliados haviam conseguido, com sucesso, adiar a decisão. No mesmo dia, a Polícia Federal fez buscas nas residências de Cunha em Brasília e no Rio, em um de seus escritórios na capital fluminense e na Câmara.

Nesta quarta, a Procuradoria-Geral da República pediu ao Supremo Tribunal Federal que ele seja afastado do cargo de deputado federal – e, consequentemente, do comando da Casa. Cunha nega a prática de crimes.

Competição


Nos carros de som espalhados pela avenida Paulista, que foi inteiramente fechada para o ato desta quarta, o tom era de competição. Aos gritos, líderes diziam que a via estava tomada, e que havia mais gente que na manifestação do domingo.

Em entrevista à BBC Brasil às vésperas do protesto desta quarta, Guilherme Boulos, líder do MTST, disse que ele seria "expressivo".

"Fim de ano é um período difícil, mas vamos conseguir mobilizar seguramente mais de 40 mil, 50 mil pessoas em São Paulo. Em Brasília também será importante", afirmou.

Segundo ele, a "oposição binária" entre os atos do domingo e o desta quarta não refletia toda a agenda da esquerda, exposta no protesto.

"A pauta é clara contra o ajuste fiscal e pela saída de Eduardo Cunha. Não vamos dar cheque em branco para Dilma, não vamos exaltá-la, este é um governo em grande medida indefensável pelas medidas que tem aplicado", disse.

'Temer deve lealdade a Dilma'


Durante o ato, o ex-senador e atual secretário de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo, Eduardo Suplicy (PT), ironizou a possibilidade de Michel Temer assumir a Presidência da República.

"Temer presidente, só enquanto Dilma estiver viajando. Temer é vice e deve lealdade a Dilma", disse à BBC Brasil.

Em um dos carros, a deputada estadual e sambista Leci Brandão (PC do B), disse que o ato era "democrático".

"Estamos aqui para mostrar que não estamos dormindo. Hoje tem preto, tem branco, tem pobre, tem rico, tem povo. O nome disso é democracia", afirmou.

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