Evento é interrompido após protestos contra Eduardo Cunha na Assembleia gaúcha
O presidente da Câmara de Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi recebido com vaias e protestos na Assembleia Legislativa gaúcha. O deputado federal, que veio participar de Fórum sobre a reforma política, enfrentou gritos de manifestantes ligados ao movimento LGBT e feministas.
Para entrar no teatro Dante Barone, o público foi revistado minuciosamente, e a presença de bandeiras e faixas foi proibida. Mesmo assim, os manifestantes improvisaram cartazes em folhas, que exibiram quando o evento foi iniciado. Os opositores de Cunha eram principalmente de coletivos de juventude ligados ao PSOL e PSTU e movimentos LGBT. Eles gritaram “Fora, Cunha” e “não, não representa não”.
O Fórum de Debates, que discutiria reforma política, tentou iniciar normalmente, com a apresentadora buscando elevar a voz para abafar os protestos. Durante o hino nacional brasileiro, os manifestantes continuaram gritando, entoando “Cunha seu machista, tu é corrupto e ainda moralista” e “a nossa luta é todo dia, contra o machismo, racismo e homofobia”.
A mesa, composta unicamente por homens, parecia constrangida. Estava presente, além de Cunha, o vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP), que também foi vaiado. O presidente da Assembleia, Edson Brum (PMDB), disse que caso os gritos não parassem, o evento teria que ser interrompido. Diante da continuidade dos protestos, ele suspendeu o Fórum temporariamente.

Além de Cunha, Brum e Temer, também compuseram a mesa o governador José Ivo Sartori (PMDB), o presidente da Câmara de Vereadores Mauro Pinheiro (PT), o deputado Ibsen Pinheiro (PMDB), o vice-governador José Paulo Cairoli (PSD).
Na abertura, Cunha defendeu a necessidade da reforma política e classificou os protestos como “intolerantes” por “não respeitarem nem o hino nacional”. O governador Sartori pediu desculpas pela “falta de condições que tivemos de iniciar o debate mais importante para a conjuntura nacional, que é o da reforma política”. Já o vice-presidente afirmou que há “tranquilidade institucional”, apesar da “alarmada crise”.
Cunha foi alvo de protestos por se afirmar contrário à criminalização da homofobia e outras pautas ligadas aos direitos das minorias, como legalização do aborto e regulamentação da mídia. Ele é autor do projeto de lei que instituiria o “dia do orgulho heterossexual” e colocou em regime de urgência o Estatuto da Família, que busca retirar direitos de casais LGBTs.
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