Houve um tempo que não se pedia passaporte para um africano entrar no Brasil
Também
eles não vinham por livre e espontânea vontade. Eles chegaram aos
milhares vindos do Congo, Guiné, Angola e Moçambique. Vinha em porões de
navios e eram vendidos para trabalharem nos engenhos de cana de açúcar
do nordeste, nas minas de Minas Gerais, nas plantações de São Paulo ou
nas estâncias do Rio Grande do Sul.
No passado
a sua força de trabalho gerou riquezas que duram até hoje. No Brasil
atual os imigrantes da África e da América Central (principalmente Haiti), enfrentam o mesmo grau de desprezo que os do século XVI.
Não
vamos nem falar do discurso de preconceito que está, novamente
impregnado nas rodas de conversa e nas redes sociais em Caxias do Sul e
no Estado.
Numa cidade que foi construída por
imigrantes, os novos imigrantes são encarados como problema. Tem gente
que não lembra que seu avô, avó, bisavô, bisavó, passavam fome na Europa
antes de virem para cá.
É... Tem gente que esquece.
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Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!
Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!...
(Navio Negreiro - Castro Alves)

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