Não dá para comparar concessão com privatização
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Foto: Lula Marques |
Primeira grande diferença: na concessão o bem público volta a ser público após um período de tempo, na privatização não.
Por
exemplo: FHC privatizou 100% da Vale do Rio Doce em 1997 por um valor
de R$ 3 bilhões (R$ 9 bilhões atualizados). A Vale nunca mais voltará
para o patrimônio público. Em 2014 o governo Dilma concedeu 51% das
operações do aeroporto do Galeão (RJ) pelo valor de R$ 19 bilhões. Em 25
anos ele voltará ao poder público com um pacote de obras executadas.
Fica claro que há muita diferença entre um modelo e outro. Dizer que os dois são iguais é desonestidade intelectual.
O que coube ao Rio Grande do Sul no pacote de concessões?
Nas
rodovias são a duplicação da BR 386 (Rodovia da Produção) entre
Carazinho e Porto Alegre e da BR 116 entre Porto Alegre e Camaquã.
Entraram também a BR 101 e a BR 290 (Freeway) que receberão melhoras e
terceira pista. O vencedor do leilão será quem fornecer o menor valor do
pedágio. Nas concessões do governo Dilma a média dos pedágios é de R$
3,50. Nas concedidas por FHC era de R$ 10,80.
Nos
portos estão em análise Canoas, Estrela, Nova Santa Rita, Taquari,
Porto Alegre e Charqueadas que serão construídos novos terminais.
O
aeroporto Salgado Filho também será concedido. O investimento será de
R$ 2.5 bilhões e as obras de ampliação da pista, do pátio e do terminal
de passageiros.
Na questão das Ferrovias haverá
melhora na infraestrutura da Améria Latina Logística que já opera as
ferrovias no Rio Grande do Sul.
O choro de Feldmann
Completamente
sumido dos noticiários locais, o vice prefeito Antonio Feldmann (PMDB),
que ocupa a cadeira de prefeito interinamente, queixou-se que a Serra
Gaúcha ficou de fora do pacote de concessões. Nem seus colegas de
partido, franco opositores do governo federal, reclamaram do programa. O
governador José Ivo Sartori e o deputado Mauro Pereira não fizeram
críticas a ausência da região na lista das concessões.
Feldmann
fala do aeroporto da Serra, do trem regional e da Perimetral Leste.
Excetuando o aeroporto de Vila Oliva os outros projetos não são frutos
de concessão. A Perimetral Leste passará por dentro de Caxias do Sul e
necessita de recursos da prefeitura. A escolha do governo municipal foi o
SIM, que está construíndo os corredores de ônibus do centro da cidade
que é majoritariamente financiado com recursos federais.
O
trem regional enfrenta dezenas de imbróglios. Feldmann sabe disso. Ele é
o nome do prefeito Alceu Barbosa Velho para acompanhar o projeto. Há
indefinições quanto a desapropriações, ao trajeto, a função, enfim não
há quase nenhuma definição, nem de projeto.
O
aeroporto de Vila Oliva depende de duas indefinições. A primeira é o
governo Sartori bancar a compra da área, que o governo Tarso (PT) havia
se comprometido. A segunda é a exigência da CIC de que seja um aeroporto
de carga. Segundo estudos da ANAC não há demanda suficiente para isso e
o aeroporto de Vila Oliva poderia ficar como o de Vacaria que é de
carga, está pronto e não recebe nenhum avião.
E as PPPs do Sartori?
Sartori
ficou animado. Na sua concepção a proposta de concessão do governo
federal, libera a sua ideia de recriar os polos de pedágio. Errado
novamente. O modelo dos polos de pedágio, instituído pelo governador
Britto (PMDB) e que Sartori quer ressussitar, pegou estradas prontas,
não ampliou nenhum metro e devolveu elas pior do que recebeu. O trecho
da Serra que pode receber pedágio é o de São Vedelino/Farroupilha, que
já era constante do polo de pedágio de Farropilha e que em 15 anos não
foi duplicado.
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