quinta-feira, 5 de março de 2015

Hospitais fazem último apelo a Sartori e começam a suspender atendimentos pelo SUS

Foto: Juliana Mutti | Agência ALRS
Os dirigentes de hospitais filantrópicos e santas casas do Rio Grande do Sul dirigiram nesta quarta-feira (4) um último apelo ao governador José Ivo Sartori (PMDB) para que ele volte atrás na decisão de cortar 30% de recursos para o setor e defina um calendário de pagamentos para o ano de 2015. O apelo foi transmitido pelo presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do RS, Julio Dornelles, durante uma audiência pública que lotou as dependências do auditório Dante Barone, na Assembleia Legislativa. “A situação atual é caótica e os problemas têm que ser resolvidos nos próximos dias, pois há hospitais sendo obrigados a suspender atendimentos e a fechar unidades”, disse Dornelles, citando o caso do hospital de Candelária, que suspendeu os atendimentos pelo SUS e do Hospital Tacchini, de Bento Gonçalves, que está fechando sua UTI pediátrica.

Convocada pela Frente Parlamentar de Apoio às Santas Casas e Hospitais Filantrópicos, presidida pelo deputado Ronaldo Santini (PTB), a audiência pública reuniu dirigentes hospitalares, trabalhadores da saúde, autoridades municipais, deputados, autoridades estaduais e representantes de diversas entidades.

A importância do setor para o atendimento da saúde foi expressa, em números, por Julio Dornelles. Atualmente os hospitais filantrópicos são responsáveis por 70% do atendimento hospitalar do SUS, no Estado. São 245 instituições funcionando em 197 municípios, que realizam 550 mil internações por ano.

Ainda segundo Dornelles há quatro anos os hospitais tinham um deficit de R$ 313 milhões. A partir de 2013, foi instituído um co-financiamento União-Estado e os hospitais receberam mais R$ 168 milhões do governo estadual, destinados ao custeio. “Em dezembro de 2014, os hospitais tomaram R$ 90 milhões em empréstimos junto ao Banrisul, o que permitiu atravessar o mês de dezembro. Mas, em janeiro, a crise estava exposta com um agravante: a insegurança sobre quanto e quando iremos receber, uma insegurança absoluta de fluxo de caixa”, disse o presidente da federação.

O atual governo repassou aos hospitais parte do valor devido de dezembro e janeiro, mas ainda ficou faltando R$ 25 milhões. A decisão do governo Sartori de cortar em 30% os repasses está fazendo com que hospitais cortem atendimentos pelo SUS.

Representando o governo do estado, o secretário da saúde, João Gabardo (PMDB)fez uma retrospectiva dos recursos destinados ao setor entre o último ano do governo Yeda e o último ano do governo Tarso:

2010 – R$ 153 milhões
2011 – R$ 290 milhões
2012 – R$ 443 milhões
2013 – R$ 746 milhões
2014 – R$ 1,16 bilhões

Os números comprovam a afirmação do secretário de que houve um aumento de 658% nos repasses aos hospitais. Porém Gabardo acha que esse número não deve ser comemorado. Ele afirma que a maior parte dos recursos irão para os hospitais e ironizou: "Vou falar para a Fazenda repassar direto os recursos da secretaria para os hospitais". Nesse momento ele ouviu uma estrondosa vaia. No final ele arrematou: "Será que o problema não passa pelos hospitais terem uma gestão mais profissional?". Novas vaias.

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