segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Primeiro ato do novo governo pós Kadafi: suspender o direito das mulheres


Enquanto as redes de tv e jornais do Brasil e do mundo anunciavam a morte de Muamar Kadafi, o discurso do novo líder da Líbia, Mustafá Abdeljalil, passou completamente desapercebido. Reproduzimos, abaixo, uma matéria feita pelo site mexicano Sinembargo. Divulgue, pois, notícias como essa você não encontrará em nenhum outro veículo de Caxias do Sul.

Mulheres que lutaram para derrubar o regime de Kadafi podem perder
direitos conquistados
Antes de por em marcha o processo democrático da nova Constituição, as declarações do novo “homem forte” da Líbia, a favor da restauração da poligamia, disparou o sinal de alerta em muitos setores do país, em especial entre as mulheres.

Em seus discurso “inaugural”, o chefe do Conselho Nacional de Transição (CNT), Mustafá Abdeljalil, anunciou no domingo, 23, que A Xaria (lei Islâmica) será a única fonte de legislação do novo regime. O líder rebelde deu como exemplo a possibilidade de um homem poder casar com até quatro mulheres, uma possibilidade da religião muçulmana que Kadafi aceitava apenas com grandes garantias para as esposas. “É revoltante constatar que milhares de líbios deram sua vida para que, no primeiro discurso, a prioridade dos novos dirigentes seja conceder ao homen várias mulheres”, protesta uma mulher líbia que pediu anonimato, numa declaração a Agência France Press.

Al Chater, fundador do Partido da Solidariedade Nacional (laico, de centro direita), mostrou-se surpreso com o anúncio “precoce” de como será o novo Estado líbio. “Com a anulação da lei de Kadafi sobre o matrimônio, a mulher que se divorciar perderá o direito a moradia. Isso é uma catástrofe para as mulheres líbias”, afirmou.

A surpresa pelo anuncio da poligamia e a Xaria em seu primeiro discurso chegou as capitais européias, principais aliados do movimento rebelde líbio. Na França, primeiro aliado dos revolucionários, o governo não escondeu a surpresa frente ao discurso de Abdelijalil. “Estaremos vigilantes no que diz respeito aos direitos humanos, em particular a igualdade entre homens e mulheres, algo que a França está profundamente vinculada”, disse o porta voz da presidência francesa, Bernard Valero, em uma coletiva de imprensa.

“Se o primeiro ato dos rebeldes foi linchar Kadafi e horas depois anunciar a poligamia, o que podemos esperar agora?”, afirmou um observador europeu crítico da campanha da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que realizou operações militares, de apoio aos rebeldes, que resultaram na queda do regime de Kadafi.

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