Direita de Caxias do Sul perde sua principal figura pública

A morte de Ruy Pauletti na madrugada desse domingo representou a perda da principal figura política que representava o conservadorismo de nossa cidade. Ruy Pauletti construiu toda a sua carreira, política e acadêmica, representando esse pensamento.

Entretanto muito do que é atribuído a ele não é, na verdade, obra sua. Um caso emblemático é a expansão e o crescimento da UCS. A parte da verdade é que a UCS cresceu, e muito, enquanto ele era Reitor, mas o que poucos atribuem são os fatores que levaram isso a acontecer. O principal é que a UCS era a única universidade de Caxias do Sul e recebia toda a demanda de alunos da cidade e da região. Com isso ela podia cobrar o valor que quisesse, e fazia isso, dos alunos e com isso garantir um grande caixa para a instituição.

Outra contribuição, sempre esquecida, é a do professor José Clemente Pozzenatto, o verdadeiro articulador da Regionalização da UCS, que de um ano para o outro, aumentou o número de alunos e o patrimônio da UCS em mais de 40%. Também a fama de pessoa que ajudava os estundantes estava mascarada por uma troca de favores e apadrinhamento na distribuição de bolsas de estudos. Por fim as "ações sociais" eram mais atos de propaganda do que uma verdadeira inserção da universidade na sociedade.

A UCS, durante a gestão Pauletti, sempre foi uma fortaleza para a reprodução do pensamento neoliberal. Essa na verdade é a contribuição, real, de Pauletti na política. Mesmo discordando dessa linha de pensamento, é inegável que Pauletti representou muito bem esse pensamento. Durante as eleições municipais de 2004 a sua candidatura conseguiu agregar os setores mais reacionários da cidade e, com isso, foi essencial para a vitória do José Ivo Sartori. Se não fosse esse movimento, se esse setor não tivesse Pauletti como representante, o Sartori não conseguiria absorver esses votos, que seriam abstenção ou justificativa eleitoral.

Depois de eleito para a Câmara Federal e sem poder usar a máquina da UCS ao seu favor foi perdendo capilaridade e não conseguiu se reeleger. Relagado a segundo plano dentro do próprio partido, apesar de negarem isso, Pauletti iria assumir uma posição de bastidores, o que é um eufemismo, no caso, para não ter  função no processo eleitoral. Como a proposta do PSDB não era de candidatura pŕopria um papel de bastidores é absolutamente irrelevante.

Obviamente que para a família e amigos é uma grande perda e, seria desumano, desconsiderar a dor das pessoas mais próximas a ele. A perda de um ser humano sempre é algo que deve merecer o respeito de todos. Até por que uma parte da cidade, os conservadores, perderam seu maior representante.


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