terça-feira, 4 de setembro de 2012

Sartori tem 72% de aprovação mas 31% desses não querem continuidade

Apesar da alta aprovação que o governo Sartori tem na pesquisa eleitoral do Ibope, contratada pelo Grupo RBS, e publicada nos jornais de hoje, quase metade de quem avalia o governo como bom ou ótimo prefere não votar em Alceu Barbosa Velho (PDT), candidato da situação. Segundo o Ibope a avaliação positiva do governo (bom e ótimo) soma 72%, porém a intenção de votos em Alceu é de 41%, ou seja, 43% (ou 31 pontos percentuais) de quem avalia que o governo é positivo preferem não votar em Alceu. Mesmo assim o prestígio do atual prefeito esta em alta e ele é, com certeza, peça chave na disputa eleitoral.


Liderando a pesquisa, com 41% das intenções de voto, o candidato situacionista Alceu Barbosa Velho (PDT) aparece como favorito para vencer as eleições, inclusive no primeiro turno. Dois fatores influenciam nesse resultado. O primeiro é o grau de popularidade do prefeito José Ivo Sartori (PMDB), que, segundo a pesquisa alcança um índice de aprovação de 75%. Boa parte dessa visão positiva da cidade vem da propaganda massiva feita, antes das eleições, pela prefeitura. Como já mostramos aqui, o Governo Sartori gastou mais de R$ 2 milhões em publicidade, sendo que o Grupo RBS (coincidência?) recebeu quase 30% desse bolo. Outro fator é o latifundio de tempo de televisão que a candidatura de Alceu dispõe. Com uma política de alianças que foi muito construída no toma lá, dá cá (leia aqui e aqui) garantiu metade do tempo de propaganda gratuita onde explora, com perfeição, as obras e realizações do atual governo. Portanto essas duas ações se retroalimentam. A intensa propaganda feita pela prefeitura gabarita o governo Sartori, que como principal avalizador da candidatura Alceu faz seus índices de intenção de voto subirem.

Porém é claro que a cidade mostrada na TV é, em parte, uma ficção, já que Caxias não é uma cidade livre de problemas, nem o paraíso da terra como mostrado nos programas eleitorais da situação. Já houve na história exemplos de táticas semelhantes que resultaram em derrotas de quem as adotou (quando não eram calcadas na realidade). O caso mais emblemático era da campanha Britto (PMDB) em 1998. Com mais tempo de TV ele tentava mostrar um RS que não existia na vida real e acabou perdendo para Olívio Dutra (PT).

O bloco de oposição
Em segundo lugar a pesquisa aponta Assis Melo (PCdoB) com 22% das intenções de voto. A campanha do comunista é uma das que mais contrapõem com o candidato primeiro colocado. Já foram inúmeras farpas trocadas dentro de fora de debates. Assis assume o papel de protagonista do bloco de oposição e como é mais conhecido que Daneluz (PT) capitaneia um pouco do prestígio de ser oposição. Parte de seu sucesso é um programa de teve bem mais conciso e direto. Talvez o pouco tempo, nesse caso, tenha sido uma benção momentânea pois limita a possibilidade de errar. Outro ponto que beneficia Assis é que a pesquisa Ibope não mostra, ao lado do nome do candidato no disco de votação, o partido dele. Isso gera que alguns votos petistas estejam sendo dados a Assis pois o candidato, real, do partido ainda não é conhecido o suficiente. Seu ponto negativo é ser o candidato com maior rejeição (15%).

Em terceiro lugar aparece Marcos Daneluz (PT). O partido que polarizou as ultimas quatro eleições municipais hoje amarga 11% nas intenções de voto. Daneluz tem bem menos projeção pública do que Pepe Vargas e Marisa Formolo, os dois candidatos que saíram da disputa (Pepe virou ministro e Marisa por problemas famíliares). Sua esperança era a propaganda gratuita. Porém seu programa de teve é tão enfadonho que leva os eleitores a dormir na frente da televisão. O PT que historicamente sempre fez programas eleitorais de grande qualidade, inclusive quando tinha pouco dinheiro, dessa vez errou na fórmula (programa de entrevista) e na estratégia (diz muito pouco o que quer fazer). O ponto favorável de Daneluz é a menor rejeição entre todos os canddatos (7%).

Não emplacaram
A grande decepção dessa eleição, até agora, fica por conta de Corlatti (DEM). Com discurso de novidade ele tentava ser uma Marina Silva, porém amarga um decepcionante 2% dos votos. Um pouco desse fenômeno pode ser explicado pela tentativa de abortamento, por parte de setores da elite caxiense, que investiram todas as fixas no candidato do continuísmo, a sua candidatura. Outra explicação possível é que o povo está vacinado com o discurso de "choque de gestão", ele geralmente significa menos investimentos em áreas como saúde, educação, habitação e assistência social.

Possamai (PSOL) está fazendo o seu jogo.  O candidato mais polêmico dessa eleição, autor do termo Macarronada Política aparece com 0% das intenções de voto (isso significa que menos de 6 entrevistados citaram o seu nome). Como o partido tem pouca estrutura, sua campanha não consegue visibilidade suficiente para além dos círculos que acompanham mais diretamente os programas de debate e falam sobre política. Sobra muito pouco a fazer do que construir o partido na cidade. Pesa contra ele, ainda, a falta de apoio da sua direção estadual.

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