quarta-feira, 28 de novembro de 2012

E o camelôdromo virou problema

Se os 73 comerciantes que estão no camelôdromo tivessem aceito a proposta acordada pela prefeitura e pelo "interlocutor da categoria", Marcos Ruquert (que acabou não tendo legitimidade nenhuma para fechar algum acordo), eles estariam sendo removidos para um local escondindo e nenhuma polêmica teria sido criada.

Como eles ousaram questionar a verdade estabelecida compraram uma guerra com os donos do poder tendo como seu principal porta voz o Jornal Pioneiro. Na edição de segunda feira o próprio editor chefe do jornal passou a linha editorial. Em resumo: o camelôdromo deve acabar.

Os argumentos, que não são apenas do jornal, mas da elite econômica de Caxias falam de que vivemos hoje num momento de pleno emprego, que há cursos profissionalizantes para todo mundo e que vivemos uma realidade de pleno desenvolvimento (e eles ainda fazem campanha para o Serra?). Por todos esses motivos a razão de ser da economia informal teria se perdido e o camelôdromo deveria, na prática, fechar, ou ser colocado em um local bem escondido.

Para uma melhor avaliação sobre a situação temos que voltar 19 anos no passado. O camelôdromo nasce de uma pressão dos comerciantes em tirar os "infomais" da rua. Era o começo do governo Vanin, Itamar era presidente, e a inflação era galopante. A Praça da Bandeira, local onde colocaram esses pequenos comerciantes era um local abandonado, insalubre, perigoso, com uma vizinhança tenebrosa. A praça era abandonada. Quem deu vida a ela foi o Camelôdromo.

O negócio prosperou, a vizinhança melhorou. Agora tem a FSG, tem lojas, tem serviços públicos e agora aquelas pessoas estão ocupando um lugar nobre que, poderia dar lugar a, incrível, uma rua mais larga.

A "revitalização" da Praça da Bandeira não depende da retirada do Camelôdromo. Ela só não foi feita por incompetência e descaso da prefeitura. A questão é alargar a Moreira Cesar para beneficiar os negócios que, se não houvesse o Camelôdromo ali, talvez eles nem se instalariam na redondeza.

Aqui vemos a luta do pequeno contra o grande, na verdade contra quem já foi grande. O comercio de rua de Caxias entrou em decadência há muitos anos. As principais lojas da cidade sofrem um concorrência muito grande do comércio instalado nos shopping centers que tem muito mais variedade, comodidade, conforto. Sobrou apenas sombras de um passado quando existiam grandes lojas de departamentos. Ao invés dos representantes do comércio tentarem garantir, artificialmente, reserva de mercado, deveriam melhorar seus próprios negócios, já que são tão defensores da livre concorrência.

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