sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Roberto Gurgel trabalharia como "fonte anônima" da Veja

Começa a surgir detalhes de mais uma armação envolvendo o Procurador Geral da República, Roberto Gurgel (apelidado de "engavetador geral" devido aos inúmeros processos contra poderosos que ele não deu prosseguimento). O site Brasil 247 traz um requerimento onde o Senador Fernando Collor (PTB/AL) pede esclarecimentos sobre os depoimentos de Marcos Valério a procuradoria.

A questão é que o próprio Gurgel vazou informações a Veja que fez uma reportagem sobre o caso que está servindo de base para uma representação da oposição contra o ex-presidente Lula, que será decidida por (advinhem) Roberto Gurgel.

O fato aqui não é Collor, mas sim a conduta de Gurgel. Por conta de seu posicionamento seletivo quando a quem é indiciado o Mensalão Mineiro, a Privataria Tucana, o Mensalão do DEM, e outros inúmeros escândalos não estão sendo julgados ou até já prescreveram.

Pior disso tudo é que, ao que parece, ele está fazendo um teatrinho para gerar fatos que, ou não existem, ou são artificialmente aumentados. Veja a cronologia dos fatos e tire a sua conclusão:

1) Em setembro, Marcos Valério prestou depoimento secreto à procuradoria-geral da República. Disse que temia ser assassinado, pedia proteção e se colocava à disposição da Justiça para a delação premiada.

2) No dia 19 do mesmo mês, reportagem de capa de Veja atribuiu várias declarações ao publicitário. O que parecia ser uma entrevista não era. Veja não tem gravações.

3) Recentemente, Eurípedes Alcântara, diretor de Veja, sinalizou, em entrevista ao Globo, que Veja não tem gravações, mas pode comprovar judicialmente o teor de suas reportagens.

4) No último fim de semana, Veja dedicou nova capa a Marcos Valério, com mais declarações que ele teria prestado a interlocutores próximos.

5) Reportagem do 247 (leia mais aqui) apontou que, aparentemente, o "entrevistado" de Veja não é Valério, mas o próprio Gurgel.

6) A oposição, capitaneada por Roberto Freire, apresentou um pedido de investigação criminal contra o ex-presidente Lula, a partir apenas das reportagens de Veja.

7) Em carta, o advogado de Marcos Valério, Marcelo Leonardo, criticou o vazamento seletivo de trechos de um depoimento prestado por seu cliente. Especialmente porque Valério pode estar correndo risco de ser assassinado.

8) No dia 6, o senador Fernando Collor encaminhou ofício ao procurador Gurgel para que ele esclareça a data e o local em que foi tomado o depoimento de Marcos Valério na Procuradoria-Geral da República.

Fica claro que Collor suspeita de uma ação circular de Gurgel. O procurador teria tomado o depoimento de Valério e vazado trechos à revista Veja, cujas reportagens ancoraram uma representação contra Lula que será avaliada pelo próprio Gurgel.

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