segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Até tragédia vira opção de negócios para industria armamentista

Enquanto o país lamenta as crianças mortas, lobby
armamentista vê possibilidade de lucros
Uma entrevista do vice presidente executivo da NRA (sigla em inglês para Associação Nacional de Rifles), Wayne LaPierre, bateu em cheio naquelas pessoas que ainda choram a morte de 26 pessoas, 20 delas crianças entre 6 e 7 anos, na escola Sandy Hook, em Newtown.

A sugestão de LaPierre é que existam guardas armados em todas as escolas do país, ou seja, ele viu uma ótima perspectiva de negócios no meio de uma tragédia. O NRA é uma instituição criada em 1871, e que faz um forte lobby, nos Estados Unidos, contra qualquer tipo de restrição a posse ou controle de armas.

As armas usadas por Adam Lanza, foram compradas legalmente por sua mãe, que foi a primeira vitima. Ele usou uma Glock 10 mm, Sig Sauer 9 mm, e um fuzil Bushmaster. Além disso ele possuía grande quantidade de munição. Na maioria dos estados americanos é tão simples comprar armas, inclusive de alto calibre, que elas são vendidas até pela internet.

Essa e outras tragédias formam uma trilha de sangue na sociedade americana. Lá há quase uma arma para cada habitante, mesmo assim as crianças são mortas as dezenas. LaPierre justificou sua proposta comparando as escolas com bancos, aeroportos e prédios governamentais. Porém a diferença fundamental é que em nenhum caso de chacina, nas escolas americanas, o atirador, ou atiradores, tinha a intenção de levar alguma coisa de valor. Na maioria dos casos são atiradores suicidas. Portanto a ideia de ter mais e mais pessoas armadas nas escolas não significa que as mortes irão diminuir.

Esse é um grande exemplo que tem que nos fazer pensar. O Brasil tem uma política oficial de desarmamento, que considera crime a posse de arma sem registro e dificulta, em muito, a sua posse legal. Essa foi uma atitude correta pois a maioria dos assassinatos cometidos tem 3 causas: acerto de contas entre bandidos, crimes passionais e por motivo fútil. No primeiro caso o porte das armas já são ilegais mesmo e só ações polícias muito fortes podem desarmar, de verdade, os bandidos. No segundo caso falta redes de proteção, principalmente às mulheres, para evitar agressões, e também está presente a cultura machista e possessiva de nossa sociedade. O terceiro é o que resulta em mortes por briga de trânsito, briga sobre futebol, sempre ligado ao consumo excessivo de bebidas. Retirando as armas de fogo você consegue, pelo menos, diminuir a incidência dos dois últimos.

O presidente Barack Obama vai tentar, no Congresso americano, passar uma legislação que preveja algum controle a compra de armas. Porém o lobby, milionário, da NRA, interessada nos lucros da indústria armamentista, pode, com certeza, comprar a maioria para evitar que a legislação passe.

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