sábado, 26 de outubro de 2013

Crime organizado está, também, se infiltrando nas manifestações

As imagens do ato de ontem em São Paulo deixam claro que o crime organizado está infiltrado dentro das manifestações. Só isso justifica o quebra quebra generalizado, e sem foco, que incendiou ônibus, quebrou estações de passageiros, assaltou e agrediu pessoas. Cenas parecidas com essas foram presenciadas em Porto Alegre, quando em meio às manifestações de junho, grupos de mascarados assaltaram lojas de celular e de tênis.

As ações em São Paulo distorcem em muito a tática da "ação direta". Quando o alvo é indiscriminado está mais perto da barbárie do que de uma ação anarquista. Pior ainda quando há usurpação de dinheiro e esse recurso não é distribuído com os "menos favorecidos". Aí não há desapropriação do capital é roubo mesmo.

Quando o movimento opta por queimar ônibus escolhe a barbárie. Revolucionário seria fazer com o que o coletivo levasse todo mundo sem pagar. Se a luta era contra as catracas, essa deveria ser a ação. Quando faz o oposto, queima ônibus, a ação é vandalismo puro e simples.

Em junho a direita tentou tomar de assalto o movimento. Jogou para as ruas pautas estranhas ao começo dos protestos como a PEC 37 (que nunca ninguém tinha ouvido falar). Mas como a direita não é das ruas, no primeiro sinal de disputa dos rumos do movimento ela voltou aos seus sofás.

O crime organizado parece que se saiu melhor. E já mostrou sua força em outras ações a exemplo do PCC. Naquela vez dezenas de "soldados do crime" foram mortos em confronto com a polícia. Dessa vez ao se infiltrarem em meio a manifestações, de causas legítimas, conseguem passar anonimamente até que a situação perca o controle.

O número de prisões, pós manifestações, aumenta todo o dia. Ontem, em São Paulo foram 98 presos. Mas os responsáveis pelas depredações não são presos!

O Movimento Pelo Passe Livre (MPL) mostrou sabedoria quando em julho parou de chamar manifestações devido a inclusão de "pautas estranhas ao movimento" nos protestos. O MPL é quem tem a massa crítica para levar as pessoas às ruas, e está perdendo isso. Os encapuzados apenas se aproveitam de um movimento já existente para fazerem suas ações.

Seria prudente o movimento de rua repensar suas ações. Pois daqui a pouco eles também sofrerão de crise de representação.

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