Porque os brasileiros se identificam com o conservadorismo?

Jair Bolsonaro (PP), Marcos Feliciano (PSC) e Luiz Carlos Heinze (PP). O que eles têm em comum? Foram campeões de votos para Deputado Federal em seus estados. Bolsonaro e Heinze foram os mais votados no Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, já Feliciano ficou na terceira colocação em São Paulo.

Mas esses homens têm muito mais em comum do que um grande número de apoiadores e de votos. Eles são considerados políticos de extrema direita e com ideias e ideais reacionários. Destacaram-se na política por suas declarações homofóbicas, sexistas, machistas e racistas.

Jair Bolsonaro cumprirá seu sétimo mandato consecutivo, ou seja, está há pelo menos 24 anos propagando o preconceito contra homossexuais, mulheres, negros e, além de tudo, defendendo a tortura e o regime militar no Brasil.

Marcos Feliciano segue a mesma linha. Pastor fundamentalista, o deputado federal do PSC tem fortes posições contrárias aos direitos das mulheres, negros e LGBT.

Já Luiz Carlos Heinze, menos conhecido, ganhou notoriedade ao ser eleito o político mais racista do ano, quando declarou em março de 2014, em seu discurso, que quilombolas, índios, gays, lésbicas são “tudo que não presta”. Heinze vai para o quinto mandato consecutivo.

Segundo estudo do DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), o novo Congresso é, seguramente, o mais conservador do período pós-1964. Foi grande o número de militares, ruralistas e religiosos eleitos, setores ligados ao conservadorismo. Em contrapartida, o número de líderes de movimentos sociais, com ideais progressistas, caiu pela metade.

Parece que as manifestações de 2013 não repercutiram da maneira que deveriam. Houve forte retrocesso e ficou evidente que os políticos conservadores tem um forte apelo na sociedade, dada a alta conversão de votos nos deputados referidos e na grande bancada reacionária eleita.

A própria juventude, que deveria ser a vanguarda de mobilizações à esquerda, parece não ter compreendido o sentido dos manifestos de junho, já que ajudou a colocar Aécio Neves no segundo turno.

Também ficou evidente que a população criou uma certa aversão a debates progressistas que propõe, por exemplo, igualdade de direitos aos homossexuais, proteção à população negra e avanços nos direitos das mulheres. Parece que há discussões que ainda soam mal a um povo que possui conceitos arraigados na religião e nos costumes.

Além disso, o que não está claro para a população brasileira são as linhas programáticas de cada partido. O senso comum diz que não há direita nem esquerda, que a corrupção passou a existir depois que o PT começou a governar e que todos parecem iguais.

Notadamente precisamos de uma profunda reforma política para que o povo realmente seja educado a votar de forma consciente e para que a miscelânea de partidos e coligações sejam mais coerentes, evitando a cultura corrupta em que estamos inseridos.

Além disso, é preciso uma reforma da comunicação para que se acabe com o monopólio das comunicações e assim se acabe com a imprensa manipuladora. Infelizmente, o que vemos é uma população que se deixa influenciar diretamente pelos grandes meios de comunicação e acaba reproduzindo esse entendimento distorcido nas urnas.

Infelizmente, as perspectivas de avanços não são boas. Pelo contrário. Projetos de lei polêmicos e identificados com setores reacionários podem ganhar mais força no Congresso Nacional. Principalmente se Aécio Neves for eleito.

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