quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Cinco coisas que apostamos que você não leu sobre a greve dos caminhoneiros

O leitor atento irá perceber que, independente do veículo de comunicação, ele lerá as mesmas coisas sobre a paralisação dos caminhoneiros que atinge 11 estados brasileiros. Na grande maioria das reportagens será difícil encontrar qual a pauta de reivindicações da categoria e, quais são os líderes do movimento. Diferente dos movimentos de junho de 2013, o movimento dos caminhoneiros não é horizontal e organizado por rede, muitos antes pelo contrário. Listamos alguns detalhes sobre o movimento que passam desapercebidos.

1 - O que os manifestantes reivindicam? Depende de onde você está. Há propostas que  vão desde a aposentadoria integral aos motoristas até a indexação do preço do combustível ao preço internacional do petróleo (só que ninguém fala que quando o barri do petróleo custava o dobro de hoje a Petrobras não repassava a diferença). Pautas contra a corrupção, a Petrobras, e outras estão muito mais no Facebook do que entre os manifestantes (apesar de alguns levarem essa bandeira).

2 - Quem iniciou o movimento? Segundo o próprio líder dos caminhoneiros, Nelio Botelho, presidente do Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC), o movimento partiu dos produtores rurais. Em entrevista ao portal R7, Botelho falou: "Essas manifestações não são originárias dos caminhoneiros. Isso é promovido e organizado pelos produtores rurais do País. Quando eles decidiram fazer essas mobilizações, pediram o apoio dos caminhoneiros aos diversos sindicatos agregados e filiados ao Movimento União Brasil Caminhoneiro".

Botelho não pode ser acusado de petista. Ele declaradamente votou duas vezes em FHC e a página do movimento, na internet, consta, até hoje, um banner que convoca os caminhoneiros a votarem em Aécio Neves.

Segundo Botelho os produtores já estariam com a safra vendida e a maior parte dela é transportada por caminhão. Nesse caso o reajuste dos combustíveis atingiria os grandes produtores rurais do Centro Oeste.

3 - O movimento é articulado por trabalhadores donos de caminhão? Não é bem assim. Os grandes mobilizadores tem sido as empresas transportadoras. Em diversos lugares do país são as primeiras que param e obrigam os outros motoristas a fazerem o mesmo. As transportadoras são contra a lei que estabelece um descanso de 11 horas para os caminhoneiros.

Isso não é novo. Em 1999, quando uma greve igual sacudiu o governo FHC, houve participação das empresas trasnportadoras. A Michelon, maior transportadora da América Latina, com 600 caminhões-frigorífico, foi uma das organizadores de toda a agenda do movimento. A empresa tinha estreita ligação com o presidente da União Brasil Caminhoneiros.

4 - O movimento é pacifico. Nem sempre. Dependendo da estrada, cidade ou estado, os caminhoneiros são obrigados a parar. Hoje (25) na BR153, em Goias, um caminhão tentou passar pelo bloqueio dos colegas. Outros caminhoneiros se aproximaram, com pedras, para tentar impedir que o caminhão prosseguisse. Ele só seguiu porque as câmeras de tv flagraram a cena.

Alguns anos atrás, no Rio Grande do Sul, um caminhoneiro tentou furar um bloqueio. Os manifestantes dispararam e o motorista acabou morto.

5 - O baixo preço do frete. Isso é verdade. De setembro de 2014 até hoje o valor do frete caiu 37%. Contudo o valor não é fixado - as medidas liberalizantes da economia dos anos 1990 diziam que o mercado deveria controlar os preços. Mas foram outros fatores que fizeram os preços despencar.

Com novas linhas de crédito, via programa Pro-caminhoneiro do BNDES, aumentaram o número de veículos em circulação. Somado a isso a melhor organização dos portos fez com que as filas diminuíssem e, por fim, a melhor capacidade de estocar grãos evita a pressa para o envio ao centro consumidor. Esses três fatores fizeram com que o valor do frete caísse. É verdade o Livre Mercado fez mais uma vítima.

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