quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Os lençois de cetim do Sartori e a crônica de um governo sem rumo

A notícia de que o governo do estado estaria comprando lençóis de cetim, toalhas de algodão egípcio, guardanapos de algodão, travesseiros de plumas e roupões de micro-fibra, entre outros itens, para o Palácio das Hortênsias, sede oficial do governo em Canela é só mais uma na escalada de contradições que o governador José Ivo Sartori (PMDB) se envolveu nesses 35 dias de governo.

A repercursão negativa foi tão grande, mais tão grande, que o governador acabou suspendendo a compra, que seria por dispensa de licitação, dizendo que não havia autorizado a aquisição dos materiais e que a pessoa responsável seria afastada. Sobrou pro estagiário.

Compra lençóis de cetim, depois não compra mais. Sanciona o reajuste de salário, depois devolve a diferença. Corta pagamentos, depois libera para alguns. Na raiz desse "vai-não-vai" está um governo que não tem rumo. E essa falta de rumo já está deixando seus aliados sem paciência.

A matéria, veiculada na Zero Hora, sobre os lençóis de cetim é uma demonstração disso. Ela teria pouca importância jornalística se o governo Sartori já tivesse dado os sinais que seus apoiadores esperam. A matéria foi um recado: "podemos infernizar seu governo".

A Zero Hora é só a porta-voz desse grupo, que não é organizado mas conta com uma "inteligência coletiva" que elabora seus interesses. O recado já foi dado e noticiado. Uma instituição ligada ao setor empresarial "diagnosticou" um déficit bilionário no Rio Grande do Sul e já apresentou a receita: a diminuição dos serviços do Estado com privatização e extinção de órgãos.

O governador Sartori recebeu o recado, mas a sua inoperância e a incapacidade de dizer com clareza o que vai fazer está irritando esse setor que, apesar de ter apostado em Ana Amélia Lemos (PP) no começo das eleições mudou de barco para garantir a vitória de Sartori.

Ao final de tudo isso os R$ 8 mil que seriam, e serão gastos uma hora ou outra, com lençóis de cetim, são um pequeno elemento de um governo que está completamente perdido.

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