segunda-feira, 9 de março de 2015

Homem mais rico do Brasil financia o golpismo?

Homem mais rico do Brasil, com US$ 29 bilhões, o empresário Jorge Paulo Lemann, dono da Ambev, ainda mantém, sob a Fundação Estudar, o domínio vemprarua.org.br; o responsável pelo movimento, Fábio Tran, continua como diretor-executivo da mesma Fundação; em dezembro do ano passado, Lemann falou ao 247, garantiu ser 'apolítico' e disse que tomaria providências em relação ao caso; texto que viraliza na internet associa Lemann não só ao 'vemprarua', como também ao recente locaute dos caminhoneiros; coincidência ou não, o vemprarua, que pretende reunir 100 mil pessoas no próximo domingo pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, divulgou posts patrocinados no Facebook – por quem??? – em solidariedade aos 'amigos caminhoneiros'; procurado por 247, desta vez Lemann não se pronunciou, mas a Fundação Estudar entrou em contato para informar que Fábio Tran está se desligando nesta semana, apenas três meses depois que o caso veio a público, e que o domínio está sendo cancelado; demora em agir causou danos à imagem do bilionário

Em dezembro do ano passado, pouco depois da derrota nas eleições presidenciais, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) convocou um protesto – ao qual não compareceu – contra o governo Dilma. Era um ato organizado pelo movimento 'vemprarua', liderado pelo executivo Fábio Tran, que espalha mensagens contra o PT e a presidente Dilma Rousseff produzidas até por personagens com a célebre Rachel Sheherazade (confira aqui a página do movimento no Facebook).

Ainda em dezembro, o site Vermelho, do PCdoB, realizou uma pesquisa e descobriu que o domínio vemprarua.org.br estava registrado em nome da Fundação Estudar, do bilionário Jorge Paulo Lemann, homem mais rico do País, com uma fortuna de US$ 29 bilhões, em parceria com seus sócios Marcel Telles e Beto Sicupira, além do BTG Pactual, de André Esteves.

Procurado por 247, Lemann reagiu prontamente. "Eu não me meto em politica e a Fundação Estudar também tem que ser totalmente apolitica", disse ele, prometendo apuração rigorosa sobre o caso (leia mais em "Ao 247, Lemann nega apoio ao impeachment").

Lemann, no entanto, admitiu que "o Fábio Tran realmente existe na Fundação". Embora tenha prometido providências, Lemann, aparentemente, nada fez. Em seu perfil na rede social Linkedin, Fábio Tran informa que sua ocupação atual continua sendo a Fundação Estudar (leia aqui). Além disso, uma simples pesquisa no Registro.br, responsável pelo registro de domínios no País, informa que o domínio vemprarua.org.br continua em poder da Fundação Estudar.

Foi este domínio, por sinal, que deu origem à página no Facebook do movimento. Uma página em que diversos posts de convocação aos protestos vêm sendo patrocinados – ou seja, pagos à rede social de Mark Zuckerberg para atingir o maior número possível de pessoas.

A única mudança realizada de dezembro até agora foi a criação do domínio vemprarua.net, no exterior, sem identificação de quem é o responsável. É ele, agora, que direciona para a página do movimento, enquanto o vemprarua.org.br, embora ainda ativo, e em nome da fundação de Lemann, foi colocado fora do ar.

O apoio ao locaute dos caminhoneiros


Além do registro do vemprarua.org em nome da fundação que lhe pertence, Lemann também vem sendo acusado, num texto que começa a viralizar na internet, de ter apoiado o recente locaute dos caminhoneiros, que provocou desabatecimento e alta de preços em diversas regiões do País. Trata-se do post"Quem financia campanha do Impeachment e protesto de Caminhoneiros?", escrito por Marcos Lemos (confira aqui).

Lemos lembra, em seu texto, que empresas controladas por Lemann, como Ambev, Lojas Americanas, ALL e B2W (antigo Submarino), possuem imenso poder sobre a logística nacional. Coincidência ou não, em diversos posts, o movimento vemprarua pediu solidariedade aos 'amigos caminhoneiros' (leia,aqui, o texto de José Augusto Valente, especialista em logística, sobre o movimento político nas estradas).

No texto de Marcos Lemos, ele também posta um vídeo dos Revoltados Online, em que eles acusam o 'vemprarua' de ser um 'movimento de empresários'.

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