quinta-feira, 19 de março de 2015

Youssef afirma que Aécio Neves que Aécio Neves recebia propina de Furnas

O doleiro Alberto Youssef, operador dos desvios na Petrobrás e no Banestado (no Paraná na década de 1990), afirmou em um dos depoimentos de sua delação premiada que ouviu do ex-deputado José Janene (PP), falecido em 2010, e do presidente da empresa Bauruense, Airton Daré, que o senador Aécio Neves (PSDB) dividiria uma diretoria de Furnas com o PP e que uma irmã dele faria uma suposta arrecadação de recursos junto à empresa citada.

O depoimento sobre Aécio Neves está na parte dos vídeos da delação premiada que foi divulgada nesta terça-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Veja aqui.

Youssef contou que auxiliava Janene e algumas vezes transportou recursos para ele originários de propinas pagas pela empresa Bauruense por contratos em Furnas. Isso teria ocorrido entre 1996 e 2000, no governo Fernando Henrique Cardoso. Janene arrecadava entre US$ 100 mil e US$ 120 mil mensais, com pagamentos em espécie em dólares ou reais. Afirmou que ouviu o ex-deputado afirmar a correligionários do PP que a diretoria de Furnas seria dividida com o PSDB, mais especificamente com Aécio Neves.

— Ele conversando com outro colega de partido, então naturalmente saia essa questão que na verdade o PP não tinha a diretoria só, e sim dividia com o PSDB, no caso a cargo do então deputado Aécio Neves — disse Youssef.

— Ele (Daré) estava discutindo valores com o seu José (Janene) e dizia: não posso pagar mais porque tem a parte do PSDB. Aí você acaba escutando — afirmou o doleiro.

O Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, retirou o nome de Aécio Neves da lista dos investigados da Lava Jato. Entretanto a fala do doleiro revela que há um caso, já sabido há muitos anos, que envolve a empresa Furnas.

Conhecido como a Lista de Furnas, esse esquema teria abastecido as campanhas eleitorais do PSDB e do PFL (hoje DEM) no começo dos anos 2000. Estariam na lista, além de Aécio, José Serra, Geraldo Alckmin, Roberto Jeferson e mais 150 pessoas. Em 2012 o MP do Rio de Janeiro ofereceu denúncia contra 11 pessoas, o caso corre em segredo de justiça. 

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