sábado, 22 de agosto de 2015

Que crise é essa?

Crise econômica, volta da inflação, recessão, juros altos, dólar valorizado, desemprego... Todas essas palavras parecem um mantra no discurso da crise e na tese do terrorismo econômico. Não há dúvidas que o país passa por um período turbulento e de ajuste. Mas será que estamos numa "crise" econômica do tipo "desesperadora" como a mídia tenta impor todos os dias? 

Vamos aos tópicos da crise:

Inflação: o centro da meta da inflação é de 4,5%, a meta é de até 6,5%. Hoje a inflação está em 8%, aproximadamente. Portanto, o descontrole "tenebroso" é de apenas 1,5% fora da meta.

Recessão: conceitualmente um país tem recessão quando encolhe seu PIB. Ano passado não crescemos, ficamos na taxa de 0,3 % de crescimento, esse ano talvez a taxa de crescimento seja negativa de até -2%. As previsões são de que já no último trimestre do ano a economia volte a crescer, apontando para um crescimento real em 2016. Isso significa que teremos somente o ano de 2015 com recessão. Esse não é um efeito isolado, a China, maior potência econômica do mundo, crescia a patamares de 14% e esse ano vai fechar em no máximo 7%, uma diminuição de metade do seu crescimento. OS EUA, nos últimos anos, tiveram recessão e este ano não vão chegar a 2% de crescimento, o que também acontece com a Alemanha. Há um reordenamento mundial das economias, alterados na crise de 2008 (pior crise já vista desde 1929). Os reflexos da "bolha" imobiliária dos EUA (2008) seguem até os dias de hoje. 

No Brasil, o governo enfrentou essa crise internacional apostando no mercado interno de massa. Ampliou o crédito para a população que teve acesso a bens de consumo e inseriu 40 milhões de pessoas no mercado consumidor, através de programas sociais. Esse ciclo chegou ao seu limite e foi muito bem sucedido. Agora é necessário que o país faça um ajuste e inaugure um novo ciclo de desenvolvimento que passa inicialmente por grandes investimentos em infraestrutura, para que a produção do país em todos os setores seja mais competitiva e acessível à grande massa trabalhadora. 

Esse processo já esta em curso, serão cerca de R$ 200 bilhões investidos em estradas, portos, aeroportos, ferrovias, hidrovias em conjunto com a iniciativa privada. Um remédio amargo, as PPPs (Parcerias Público Privadas) são uma espécie de "mal" necessário. O ideal seria o investimento público, sem interferência do setor privado, que mais uma vez irá explorar as concessões públicas através de pedágios, e cobrança de serviços dos usuários. No entanto, o governo não dispõem do montante de recursos necessários para modernizar a infraestrutura e o país, então a saída colocada são as PPPs.

Juros altos: sim, os juros sempre foram altíssimos no Brasil, beneficiam os rentistas que nada produzem a não ser a especulação. A taxa SELIC está em 13,5%, a dos EUA não chega a 2%. Se fosse eleger a "vilã dessa história" seria a taxa de juros, que consome o dinheiro público com o pagamento dos serviços da dívida pública, aumenta a concentração de renda, enriquece banqueiros e lobbystas. Mesmo assim, nos melhores anos do governo FHC a taxa SELIC era nada menos que 25% e sobrevivemos. 

Dólar valorizado: na verdade não é o dólar que valoriza e sim o real que desvaloriza em relação ao dólar, o que é ótimo para a exportação. Hoje o dólar é cotado em R$ 2,64. O ideal para as empresas exportadoras é justamente o dólar nesse patamar que vem reaquecendo o setor exportador e que já vem gerando empregos.

Desemprego: é verdade que já tivemos num período recente o pleno emprego, que é na faixa dos 4 a 5% de desemprego, que nada mais é que a margem da reposição, (período de quando um trabalhador sai de um emprego e vai para outro). Hoje o desemprego está em cerca de 8 a 9%. Portanto, 4% acima do que é considerado pleno emprego. Na Espanha, Portugal e Grécia o desemprego passa de 20%. Entre os jovens desses países, a taxa de desemprego chega a 50%, ou seja, metade dos jovens desses países estão desempregados. 

Na vida real, no cotidiano dos trabalhadores, esses números têm reflexos, obviamente. A inflação por exemplo, um pouco mais alta, faz com que o poder de compra diminua. No entanto, o que vemos é supermercados lotados, bares e restaurantes cheios, engarrafamentos em vésperas de feriado em estradas com destino ao litoral, baladas superlotadas, rodoviárias cheias, aeroportos com filas, bem diferente da "crise" do tipo que a TV tenta impor. 

As pessoas estão preocupadas, e é natural, porque há demissões, há uma dificuldade econômica, a indústria tem sérios problemas e o Brasil precisa retomar o crescimento. Mas o terrorismo econômico vendido nos principais meios de comunicação é desproporcional à vida real. Há um em curso uma clara e evidente campanha de para desestabilizar o governo, gerar medo, raiva e intolerância. É a tese do "quanto pior, melhor".

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